Iraque ainda sem posição sobre mísseis

O general Hossam Mohamed Amin, ofuncionário iraquiano que assessora os inspetores da ONU, dissehoje neste domingo que o Iraque ainda não tomou uma decisão a respeito dadestruição dos mísseis Al-Samoud-2, que excedem o limitepermitido de 150 quilômetros de alcance, segundo os inspetores.Ele declarou que as autoridades iraquianas estudam uma cartaenviada na sexta-feira pelo chefe dos inspetores, Hans Blix,ordenando a destruição dos mísseis até o próximo sábado, dia 1º de março. O Iraque justifica o fato de alguns dos mísseis poderem atingir umalcance de até 33 quilômetros a mais que o permitido com uma razão técnica. Bagdá diz que o alcance extra dos mísseis deve-se a não levarem o peso adicional dos sistemas de guia e outrosmecanismos. Amin indicou que sua destruição representará um golpe na capacidade de defesa do país. Os inspetores de armas da ONU visitaram hoje duas instalaçõesrelacionadas com a produção e o controle dos mísseis tipoAl-Samoud-2. Vários peritos em mísseis foram ao complexoindustrial de Al-Fatah, no noroeste de Bagdá, onde sãofabricados os componentes para os sistemas de direção adistância dos citados mísseis. O outro grupo viajou até afábrica de Al-Rafah, cem quilômetros ao sul de Bagdá, onde sãotestados vários tipos de mísseis. No polígono de Falluja, a 70 quilômetros ao oeste de Bagdá, oIraque testou um motor usado nos mísseis Al-Samoud-2 parademonstrar aos inspetores que esses foguetes não violam oalcance permitido pela ONU. O coronel iraquiano Ali KasimHussein informou que esta é a quinta vez que os inspetoresassistem a testes similares. O Iraque pediu hoje o adiamento da cúpula árabe prevista parao sábado no Egito, com o objetivo de esperar a entrega do novoinforme dos inspetores da ONU. Segundo uma fonte diplomática iraquiana, "Bagdá teme que ospaíses árabes exerçam pressão sobre o Iraque e lhe peçam novasconcessões" com relação à ONU. A delegação iraquiana enviou um pedido oficial à Liga Árabepara o adiamento da cúpula até o dia 14, data que seráapresentado um novo informe dos inspetores de armas ao Conselho de Segurança da ONU, que avaliará a situação no Iraque. Segundo uma fontediplomática, vários países já se manifestaram a favor doadiamento, entre eles a Síria e o Líbano.

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