Iraque apresenta documento de 11.807 páginas sobre suas armas

As autoridades iraquianas mostraram neste sábado à imprensa em Bagdá o tão aguardado documento sobre seu programa de armas químicas, biológicas e nucleares - mas não seu conteúdo -, antes mesmo de ele ser entregue aos inspetores de armas das Nações Unidas, que retomaram seu trabalho após dois dias de pausa por causa do fim do Ramadã (o mês sagrado muçulmano). O presidente iraquiano, Saddam Hussein, anunciou que dirigiria ainda neste sábado ao anoitecer uma "importante mensagem ao povo kuwaitiano". Analistas acreditam que Saddam deverá pedir aos kuwaitianos que não permitam que seu país seja usado pelos EUA para um eventual ataque contra o Iraque. O Exército iraquiano ocupou o Kuwait em agosto de 1990, antes de ser expulso sete meses depois por uma coalizão internacional liderada pelos EUA. Desde essa invasão, o Iraque vem sendo submetido a um duro embargo. O ministério de Informação do Iraque levou neste sábado os jornalistas, divididos em pequenos grupos, para ver o aspecto externo do documento, exigido pela Resolução 1.441 do Conselho de Segurança (CS) da ONU, e comprovar a existência da volumosa declaração. Um cartaz exposto perto da mesa onde se encontrava o documento informava que o dossiê era formado por 11.807 páginas e CD-ROM com um total de 529 megabytes de dados. A maior parte do documento parecia estar escrita em inglês. As declarações que Saddam fará ao povo vizinho coincidirão com a entrega - às 20 horas locais (15 horas de Brasília) - do relatório sobre armas à missão da ONU em Bagdá. As cópias do documento serão enviadas para a sede do CS da ONU, em Nova York, neste domingo, último dia de prazo para a apresentação da declaração sobre armas. Um diplomata ocidental disse que os inspetores cortarão eventuais trechos sensíveis do documento que, se divulgados, poderiam ser usado "como um manual sobre como fazer armas de destruição em massa". O presidente americano, George W. Bush, manifestou neste sábado seu ceticismo com relação ao relatório do Iraque sobre suas armas e disse que "qualquer ato de adiamento ou desafio" poderá demonstrar que Saddam não está cumprindo as exigências mundiais. Um funcionário americano, disse neste sábado, sob condição de anonimato, que a declaração será distribuída primeiro aos EUA, Rússia, França, Grã-Bretanha e China - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança -, para só depois ser entregue aos outros dez países membros. A equipe de inspetores da Comissão de Controle, Inspeção e Verificação da ONU (UNMOVIC) e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) inspecionaram neste sábado a Companhia Geral al-Quds para Indústrias Mecânicas, em Iskandariya, cerca de 40 quilômetros ao sul de Bagdá. Na década de 80 essa fábrica foi associada à produção de mísseis iraquianos de médio alcance, proibidos pelas atuais resoluções da ONU. Os inspetores também visitaram "locais de armazenamento de urânio" perto do mais importante centro de investigação nuclear em al-Tuwaitha, cerca de 25 quilômetros a sudoeste de Bagdá, disseram funcionários do Ministério iraquiano de Informação. Os inspetores estão interessados no grande armazenamento de urânio não enriquecido, proveniente de um reator experimental iraquiano. O material foi embargado e supervisionado pela AIEA desde a década de 90. Ainda neste sábado o chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, negou que as autoridades americanas estejam pressionando os membros da missão para que tirem clandestinamente do Iraque cientistas iraquianos, propondo-lhes asilo político em troca de informações.

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