Iraque: cidade turcomena sitiada pede ajuda ao Exército

Moradores da cidade iraquiana de Amrili, que fazem parte da minoria turcomena, estão cercado por militantes sunitas do grupo Estado Islâmico e pedem que o Exército do Iraque e a comunidade internacional intervenham para encerrar o cerco, afirmou um deputado nesta quarta-feira.

Estadão Conteúdo

20 de agosto de 2014 | 10h04

O cerco a Amrili, norte do país, é parte da grande investida dos militantes do grupo, que já foi ligado à Al-Qaeda, e seus aliados sunitas, que tomaram grandes partes do território no oeste e norte do Iraque.

O deputado Fawzi Akram al-Tarzi disse que cerca de 15 mil xiitas turcomenos estão sob o cerco dos militantes há dois meses e enfrentam duras dificuldades, embora o Exército tenha lançado algumas armas, alimentos e medicamentos no local recentemente. A cidade, que fica a cerca de 170 quilômetros ao norte de Bagdá, está sem água e sem eletricidade, mas os moradores impõem uma forte resistência aos militantes, afirmou Al-Tarzi.

"Amirli está cercada por todos os lados e os pedidos de ajuda estão encontrando ouvidos moucos", disse ele, pedindo que os Estados Unidos estudem a possibilidade de realizar ataques aéreos na região.

O morador Jaafar Kadhim al-Bayati, de 41 anos e pai de três crianças, disse à Associated Press por telefone que as crianças em Amrili estão ficando doentes e que a cidade precisa de mais ajuda. "Estamos morrendo de fome, a comida acabou e a única clínica médica não está funcionando por falta de medicamentos", disse ele, que também contou que uma mulher grávida morreu durante o parto nesta semana. Segundo Al-Bayati, a mulher foi levada até a clínica, mas não havia ninguém lá para ajudá-la.

Como outras minorias religiosas no Iraque, como os cristãos e os yazidis, a comunidade turcomena também é alvo dos militantes do Estado Islâmico. Milhares de turcomenos foram expulsos de suas casas pelo Estado Islâmico quando o grupo tomou Mosul, Tikrit e uma séria de cidades e vilas na região.

A ação do Estado Islâmico obrigou cerca de 1,5 milhão de pessoas a deixar suas casas desde junho e deixou milhares de mortos, o que levou a ONU a declarar o mais alto nível de emergência no país na semana passada.

Nesta quarta-feira, a agência para refugiados da ONU (Acnur) iniciou uma enorme operação por ar, terra e mar para ajudar os desalojados. Dentre as ações está o lançamento, por avião, de ajuda humanitária para a região curda, no norte iraquiano.

"As condições continuam desesperadoras para aqueles sem acesso a abrigos adequados, pessoas que lutam para encontrar água e comida para alimentar suas famílias e aqueles sem acesso a cuidados médicos básicos", declarou Adrian Edwards, porta-voz da Acnur. Fonte: Associated Press.

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