AP Photo/Khalid Mohammed
AP Photo/Khalid Mohammed

Iraque começa a investigar execuções em massa do EI

Vala em Mossul pode ter entre 3 mil e 5 mil vítimas soterradas nos últimos dois anos e meio, segundo autoridades

O Estado de S.Paulo

03 de março de 2017 | 05h00

MOSSUL, IRAQUE - Relatos de execuções em massa iniciadas pelo Estado Islâmico (EI) em 2014 espalharam terror entre os civis da cidade de Mossul nos últimos anos. Com a operação do Exército Iraquiano para retomar a cidade e a descoberta de uma vala comum, no entanto, a escala dos crimes do grupo começaram a aparecer. Sua extensão, no entanto, deve levar anos para ser descoberta. 

Há relatos de que centenas de vítimas foram enfileiradas para execução e jogadas, ainda vivas, na fossa e soterradas por outros corpos despejados por caminhões. O local ficou conhecido como Khasfa - o buraco, em tradução livre. 

Autoridades locais estimam que entre 3 mil e 5 mil pessoas possam estar soterradas no “buraco”. O número tem como base listas de desaparecidos na região, segundo o vereador Hussam al-Abar. “O governo central e o provincial não têm condições de tirar os corpos de lá”, disse. “Precisamos de ajuda internacional. Será impossível fazer isso sozinhos.”

O local começou a ser usado como vala para execuções depois da invasão americana do Iraque, em 2003. O primeiro grupo a usá-lo foi a Al-Qaeda na Mesopotâmia - o embrião do EI. “Era sabido que quem quisesse esconder um corpo poderia fazê-lo ali”, disse Al-Abar. “Com a ascensão do EI, as coisas saíram de controle.”

Mesmo antes do uso da vala por grupos extremistas em sua escalada de violência, autoridades iraquianas buscavam dados para identificar vítimas de massacres da ditadura de Saddam Hussein, quando centenas de milhares de iraquianos desapareceram. 

As autoridades locais estão sobrecarregadas. A Comissão de Direitos Humanos do governo, encarregada de mapear as execuções em massa do EI ainda não consegue consolidar um número, dada a excessiva quantidade de fossas clandestinas já descobertas. 

A agência Associated Press já documentou a existência de 72 covas de vítimas de execuções em massa no Iraque e na Síria. Estima-se que elas contenham até 15 mil corpos. Uma delas, na cidade de Sinjar, deve conter restos de membros da minoria Yazidi executados em 2015. A Khasfa, no entanto, parece ser o maior sítio de execuções do grupo já encontrado.

“Aquilo engoliu milhares de vidas”, disse Muthanna Ahmed, que diz ter testemunhado execuções ali por cinco meses. “Foi assustador e muito sombrio.” Segundo ele, o local das execuções fica perto de uma refinaria tomada pelo EI e do Aeroporto de Mossul. Era comum que moradores que passavam por lá para comprar combustível testemunhassem as execuções. 

/ WP

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