Iraque confirma morte de terrorista palestino

O vice-primeiro-ministro do Iraque, Tariq Aziz, confirmou os informes de que o terrorista palestino Abu Nidal suicidou-se. "Sim, eu confirmo o suicídio dele e um funcionário dará os detalhes a vocês na quarta-feira", disse Aziz a jornalistas. Ontem, fontes palestinas haviam dito que o corpo de Abu Nidal, fundador do grupo terrorista Fatah-Conselho Revolucionário, havia sido encontrado três dias antes em Bagdá. Acredita-se que ele estivesse vivendo no Iraque desde 1999, o que nunca havia sido confirmado pelo governo iraquiano. As fontes palestinas manifestaram desconfiança em relação à versão de que Nidal tivesse se suicidado, porque ele teria sido encontrado com mais de um ferimento de bala. De acordo com a agência de notícias Kyodo, do Japão, uma "autoridade responsável" disse a jornalistas que Abu Nidal suicidou-se depois de o Iraque acusá-lo de colaboração com "traidores kuwaitianos". A mesma fonte afirmou que o terrorista estava vivendo em prisão domiciliar, depois de ter entrado no Iraque, proveniente do Irã, com um passaporte falso. A fonte declarou ainda que o governo do Iraque considera Abu Nidal um "renegado", por atuar contra a Autoridade Palestina presidida por Yasser Arafat. Uma fonte palestina, que pediu anonimato, disse à Associated Press que agentes da inteligência iraquiana estavam checando informações de que Nidal teria entrado em contado com autoridades da Arábia Saudita e do Kuwait. A fonte não especificou a substância de tais contatos, mas disse que agentes iraquianos detiveram três homens de Nidal no início da semana passada, antes de invadirem a casa dele em Bagdá. Em Washington, a Casa Branca recebeu com satisfação a notícia sobre a morte de Nidal e aproveitou a ocasião para afirmar que o episódio demostra mais uma vez os vínculos entre o Iraque e o terrorismo internacional. "É um dos mais covardes e deploráveis terroristas do mundo", disse Ari Fleischer, porta-voz do presidente George W. Bush, que falou em Nidal no presente porque a Casa Branca não tem confirmação da notícia proveniente de Bagdá. "É responsável pelo assassinato de pelo menos 900 pessoas em 20 diferentes países. Não nos faria nenhuma falta. E o fato de que o Iraque tenha dado refúgio a Abu Nidal demonstra a cumplicidade do regime iraquiano no terrorismo global", acrescentou o porta-voz, ignorando as informações de que Nidal teria se suicidado ao verificar que as autoridades de Bagdá haviam comprovado sua participação em ações contra o governo de Saddam Hussein.

Agencia Estado,

20 Agosto 2002 | 15h39

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