Iraque critica aprovação de retirada de tropas americanas

O governo iraquiano criticou nesta sexta-feira a aprovação do projeto de lei do Senado americano que estabelece um prazo para a retirada das tropas dos EUA do país. Ali al-Dabbagh, porta-voz do governo, disse que a decisão é "negativa" e envia sinais errados aos insurgentes, segundo a BBC.Enquanto isso, candidatos democratas à Presidência americana pediram que o presidente George W. Bush não vetasse o projeto de lei.No entanto, de acordo com a BBC, Bush disse que está comprometido com a estratégia inicial que prevê ainda o envio de mais soldados a Bagdá para cumprir o plano de segurança no país.Os democratas sempre criticaram a atitude do governo americano em relação à Guerra do Iraque e, com as eleições presidenciais se aproximando, este se tornou o tema central da campanha.A votaçãoO calendário da retirada, aprovado nesta quinta-feira, 26, determina o início da saída das tropas em 1º de outubro.O prazo é a condição para a liberação de mais US$ 124 bilhões para as tropas no Iraque e no Afeganistão, verba pedida por Bush.A votação, encerrada em 51 votos a 46, foi semelhante à votação da mesma lei um dia antes na Câmara dos Representantes (deputados), por 218 votos a 208, ambas longe dos dois terços necessários para superar o veto de Bush.A proposta é a primeira contestação à guerra organizada pelos democratas desde que assumiram o controle das duas Câmaras do Congresso, em janeiro. A medida acirra a disputa política entre governo e oposição.GovernoO comandante das tropas americanas no Iraque, general David Petraeus, foi ao Congresso acompanhar a votação dos deputados e defender o reforço de tropas ordenado por Bush em janeiro. O general alegou que a violência sectária em Bagdá caiu um terço desde o começo da guerra.Em declarações ao Congresso na quarta-feira, Petraeus afirmou que a retirada levará o caos ao país. A visita de Petraeus ao legislativo foi um pedido de Bush, que tentou impedir a aprovação da medida.O texto permite que parte dos militares permaneçam no Iraque para operações de capacitação das forças iraquianas e atividades antiterroristas.O senador independente, Joseph Lieberman, que normalmente vota com os democratas, ficou do lado dos republicanos e se opôs à lei. "Nós nos iludimos se pensarmos que podemos mexer uma varinha (mágica) legislativa e de repente nossos soldados poderão distinguir entre violência sectária e terrorismo da Al-Qaeda. Ou que os iraquianos vão repentinamente resolver suas diferenças políticas porque nossas tropas estão saindo", disse Lieberman.CondolezzaOs deputados também aprovaram uma intimação para que a secretária de Estado, Condoleezza Rice, deponha no Congresso sobre os motivos que levaram o governo Bush a invadir o Iraque.Entre os pontos a ser esclarecidos está a alegada compra de urânio pelo regime de Saddam Hussein - acusação que se mostrou depois falsa, mas foi usada pela Casa Branca em 2003 para invadir o Iraque. O depoimento da secretária de Estado deve ser marcado para o mês que vem.Na época da invasão, Condoleezza era conselheira de Segurança Nacional. O Departamento de Estado, citando o ?privilégio do Executivo? - uma lei que protege o presidente e seus assessores mais próximos -, já avisou que Condoleezza usará essa prerrogativa para não comparecer à sessão. Durante o mandato de Bush, a Casa Branca recorreu várias vezes a esse privilégio, criado para que os conselheiros mais próximos do presidente não se sintam intimidados pelos congressistas e pela lei caso precisem orientá-lo.

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