AHMAD AL-RUBAYE/AFP
AHMAD AL-RUBAYE/AFP

Iraque decreta feriado de quatro dias em razão de onda de calor

Nesta quinta-feira, temperaturas na capital Bagdá passaram dos 52ºC; país sofre com cortes intermitentes no fornecimento de água e eletrecidade

O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 13h06

BAGDÁ - Altas temperaturas são normais nesta época do ano no Iraque, mas uma onda de calor sem precedentes fez com que as autoridades do país decretassem um feriado obrigatório de quatro dias com início nesta quinta-feira, 30. O governo recomendou os iraquianos não tomem sol e bebam muita água nesse período.

Na manhã desta quinta-feira, a temperatura na capital iraquiana chegou aos 52ºC, transformando uma simples caminhada pelas ruas da cidade em uma eternidade. Esta é a segunda vez neste mês que o governo alerta para as altas temperaturas no país.

Cortes crônicos de eletricidade e água no Iraque e outros países em conflito fazem, no entanto, com que ondas de calor como essa sejam ainda mais insuportáveis - em especial para os mais de 14 milhões de pessoas deslocadas pela violência em toda a região. No início deste mês, manifestantes na cidade de Basra, no sul do país, entraram em confronto com a polícia durante protestos por melhores serviços de energia, deixando uma pessoa morta.

 

Ao contrário de outros países da região, o Iraque carece de praias e restrições de viagem tornam difícil para as pessoas saírem do calor sufocante, deixando muitos - mesmo aqueles sorte de viver em suas casas - com opções limitadas para se refrescar. Alguns nadam em rios e canais de irrigação, enquanto outros passam estes dias em shoppings centers com ar condicionado.

 

Ao sul, no Golfo, os moradores acionam seus aparelhos de ar condicionado, e em outros lugares no Oriente Médio, aqueles que podem vão à praia para escapar das altas temperaturas desta quinta-feira, elevadas mesmo para os padrões da região.

 

Vários países do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos, o Catar e Arábia Saudita, exigem a realização de pausas ao meio-dia para os trabalhadores migrantes com baixos salários, horário em que as temperaturas são mais elevadas durante os meses de verão. Mas isso só fornece algum alívio já que muitos ainda passam longas horas de trabalho no calor e viajam para locais de trabalho em ônibus sem ar condicionado.

Para alguns iraquianos, as ondas de calor significam um grande negócio. Ahmed Abu Ali vende geradores de energia e ventiladores, commodities preciosas nesta época do ano. Com cortes de energia intermitentes, seus geradores, que custam entre US$ 200 e US$ 800, estão sumindo das prateleiras.

 

"As pessoas tentam ficar sem eles, mas em temperaturas como estas e com cortes de energia constantes, elas vêm correndo comprá-los", disse ele. "Vou continuar vendendo geradores pelos próximos meses, até novembro, quando faz frio. Então vou começar a vender aquecedores. Eu sou um homem de negócios, no fim das contas." / AP

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