Iraque desafia EUA a mostrar onde estão armas

O governo iraquiano desafiou os Estados Unidos a apresentarem as provas que dizem possuir sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque. "Por que ficam jogando?", indagou neste domingo, em entrevista a jornalistas em Bagdá, o general Amir al-Saadi, um dos principais assessores do presidente Saddam Hussein. "Se eles têm alguma coisa em contrário, que tragam sem demora e entreguem (aos peritos da ONU)." Os EUA insistem que o Iraque está ocultando seu arsenal, dizem ter provas disso e ameaçam atacar o país. No dia anterior, o Iraque enviou aos inspetores da ONU em Bagdá um "preciso" relatório de 11.807 páginas e alguns CD-ROMs, nos quais nega possuir tal arsenal. Também pediu desculpas oficialmente ao Kuwait pela invasão de seu território, em 1990. O governo kuwaitiano não aceitou o pedido. Na mesma entrevista, Al-Saadi indicou que o país pode ter chegado perto do desenvolvimento de uma bomba nuclear. "Nós temos os documentos completos, do desenho a outros dados. Não chegamos a alcançar a montagem final de uma bomba nem a testá-la", afirmou aos repórteres. "Portanto, se vocês estão atrás disso, não há garantia de que vão ser bem-sucedidos. Cabe aos outros julgar. Cabe à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) julgar quão próximos estivemos." Também em Bagdá, o diretor do grupo de coordenação com os inspetores da ONU, general Hosam Mohamed Amin, falou sobre o conteúdo do informe iraquiano, reiterando que não contém nenhum elemento novo sobre armas de extermínio. "A declaração, no campo biológico, se refere a um programa inexistente desde 1991", disse. "Há detalhes sobre tecnologias de aplicação pacífica e militar." Cópias dessa documentação foram encaminhadas neste doimngo ao Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, e à sede da AIEA, em Viena, onde chegaram no início da noite. A AIEA informou que entregará em dez dias ao CS uma análise preliminar, enquanto o chefe da Comissão de Vigilância, Verificação e Inspeção da ONU (Unmovic), Hans Blix, antecipou que os documentos serão avaliados pelos inspetores até 27 de janeiro. A Resolução 1.441 do CS, aprovada no início de novembro, estabelecia este domingo como prazo final para o Iraque apresentar uma relação de seu programa de armas químicas, biológicas e nucleares. Os especialistas da ONU vão expor os resultados de sua análise da declaração e de seu trabalho em campo primeiramente aos membros permanentes do CS (Rússia, China, EUA, França e Grã-Bretanha). Um porta-voz da AIEA desmentiu que o dossiê contenha esboços sobre construção de armas nucleares e outro armamento de extermínio, como afirmara um jornal alemão. As autoridades americanas asseguram ter evidências sólidas, incluindo dados ainda não apresentados publicamente, de que o Iraque possui um vasto arsenal de armas de extermínio, mas desde a retomada do trabalho dos inspetores da ONU e da AIEA no país, no dia 27, nada foi encontrado. Um novo grupo de peritos da ONU chega nesta segunda-feira a Bagdá.

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