Iraque deve manter ´boas relações´ com Irã e Síria, diz Maliki

O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, disse que não se sente obrigado a seguir a política dos Estados Unidos em suas relações com o Irã e a Síria e acha que, pelo contrário, deve manter uma "política de boa vizinhança".Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal Al-Hayat, Maliki afirma que "a postura dos EUA em relação à Síria, Irã, Turquia e Arábia Saudita não é obrigatória para nosso governo"."Nosso doloroso passado como resultado de políticas aventureiras com países vizinhos nos obriga a buscar uma política de boa vizinhança", afirma, em alusão à guerra entre Iraque e Irã (1980-1988).Os EUA acusaram o Irã de ingerência nos assuntos do Iraque, e afirmaram que agentes iranianos estão em operação para desestabilizar o regime de Bagdá, embora vários partidos que sustentam o governo de Maliki, incluindo o do primeiro-ministro, mantenham relações muito próximas a Teerã.Quanto ao esperado plano de segurança que deve entrar em vigor a partir do próximo dia 1º em Bagdá, o chefe do Governo nega que existam divergências com os EUA, e afirmou que este plano será "neutro", pois combaterá tanto a insurgência xiita como a sunita."Não é verdade que as operações de segurança contra os fora da lei sejam contra os sunitas em primeiro lugar, ou contra os xiitas. Todas as partes receberão um tratamento eqüitativo", diz.Além disso, Maliki disse que seu governo está conseguindo enfraquecer a organização Al-Qaeda no Iraque, que, segundo Maliki, sofre uma séria divisão entre os elementos iraquianos e os não iraquianos.Quanto aos últimos atentados suicidas maciços, como o que aconteceu na semana passada na universidade Al Mustansiriya e no mercado de Haraj, ambos em Bagdá, o primeiro-ministro os atribuiu a "resquícios do partido Baath", o partido único na época de Saddam Hussein.Maliki insistiu na tese de que a nova estratégia de segurança passa por "exterminar as milícias" e permitir apenas sua conversão em organizações políticas.Um dos maiores problemas enfrentados por Maliki em sua luta contra as milícias é que duas das mais importantes, o Exército Mehdi e as Brigadas Badr, obedecem a alguns dos seus mais fortes aliados no governo.

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