Khalid al-Mousily/ Reuters
Khalid al-Mousily/ Reuters

Iraque diz que ataques aéreos dos Estados Unidos são 'inaceitáveis e perigosos'

Declaração colocou os dois países em uma situação extremamente delicada; ação norte-americana deixou ao menos 25 mortos

Redação, O Estado de S. Paulo

31 de dezembro de 2019 | 03h00

BAGDÁ - O primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdul Mahdi, condenou na última segunda-feira, 30, os ataques aéreos dos Estados Unidos contra bases de uma milícia do Iraque apoiada pelo Irã, em uma medida que pode mergulhar o país no centro de um conflito entre Washington e Teerã.

Militares norte-americanos realizaram ataques aéreos no domingo, 29, contra a milícia Kataib Hezbollah, em resposta ao assassinato de um civil norte-americano, durante um ataque com foguetes contra uma base militar iraquiana, disseram autoridades.

Fontes não identificadas do Iraque disseram que pelo menos 25 combatentes da milícia foram mortos e outros 55 ficaram feridos.

“O primeiro-ministro descreveu o ataque americano às forças armadas iraquianas como um atentado ameaçador e inaceitável, que terá consequências perigosas”, afirmou seu gabinete.

As tensões aumentaram entre Teerã e Washington, os dois principais aliados do Iraque, desde o ano passado, quando o presidente Donald Trump retirou-se de um acordo nuclear de 2015 e restabeleceu as sanções sobre o Irã.

No início deste mês, o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo, culpou forças apoiadas pelo Irã por ataques a bases no Iraque. Ele também disse que qualquer ataque do Teerã ou demais ações para prejudicar representantes norte-americanos e seus aliados, seria “respondida com uma resposta decisiva dos Estados Unidos”.

Autoridades dos EUA disseram que Washington tem demonstrado paciência em meio a crescentes provocações do Irã e de seus aliados, mas que era hora de restabelecer a dissuasão contra a agressão.

“Após tantos ataques, era importante que o presidente instruísse nossas forças armadas a responder de uma maneira que o regime iraniano entendesse”, disse o representante especial dos Estados Unidos para o Irã Brian Hook, em um comunicado à imprensa.

O Irã nega quaisquer envolvimentos em atentados às forças norte-americanas e condenou os atuais ataques como “terrorismo”.

“Esta alegação, sem qualquer evidência, não pode justificar o bombardeio e a morte de pessoas, em uma clara violação do direito internacional”, disse o porta-voz do governo iraniano Ali Rabiei./ REUTERS

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