Iraque diz que bombas impedem mudanças sejam vistas

O ministro de Assuntos Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, disse neste sábado, 24, em entrevista publicada na edição do jornal espanhol El País,que as bombas que explodem a cada dia e que aparecem na imprensa impedem que se veja o quanto o país mudou.Em entrevista, o ministro iraquiano explica os "progressos" do novo plano de segurança para Bagdá e seus arredores, que conta com a intervenção de 85 mil agentes, entre iraquianos e americanos.Zebari afirma que, além de militar, trata-se de um plano "político, econômico e de melhora dos serviços", cujos resultados não são esperados imediatamente, mas, "talvez", dentro de "vários Meses".Segundo o ministro, o objetivo do plano é recuperar a confiança da população e atuar "contra qualquer tipo de violência sem importar se o bairro é xiita ou sunita".Apesar de o ministro considerar que a decisão de acabar com o regime de Saddam Hussein foi "correta", acha que houve erros e afirma que "o maior de todos" foi "a mudança de uma missão de libertação - que era brilhante e moralmente justificada - para outra de ocupação, adotada pelo Conselho de Segurança" da ONU.Zebari também acredita que o desmantelamento do Exército e das instituições "foi feito sem muitas consultas".À pergunta sobre a possibilidade de os Estados Unidos estarem a caminho "de cometer outro erro", desta vez no Irã, o ministro respondeu: "Tudo o que se passa na região nos afeta. Ajudamos a suavizar as tensões. Para melhorar a situação no Iraque necessitamos de um entorno mais tranqüilo".Zebari também acha que a presença das forças dos EUA no Iraque "é vital" e acrescenta que "se houvesse qualquer retirada prematura, haveria sim uma verdadeira guerra civil".O ministro de Assuntos Exteriores do Iraque diz também que seu país necessitará de "um pouco de paciência" para encontrar a paz e dá ênfase ao fato de que "não há soluções rápidas". "Mudamos todo um sistema de valores", destaca.Zebari assistiu nos últimos dias em Madri à Conferência Política Hisano-Árabe, na qual os representantes da maior parte dos países da Liga Árabe respaldaram os esforços de seu governo para completar a transição democrática no Iraque.

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