Iraque diz que EUA praticam lei do mais forte com os fracos

O governo iraquiano informou, nesta segunda-feira, não ter ficado surpreso com o artigo publicado domingo pelo jornal The Washington Post sobre a "carta branca" que o presidente americano, George W. Bush, teria dado à CIA para derrubar e, se necessário, matar o líder do país, Saddam Hussein.Para o governo do Iraque, isso demonstra que os EUA praticam "a lei do mais forte com as nações mais frágeis". O Post revelou que Bush assinou no início do ano o documento, permitindo até que os agentes da CIA utilizem procedimentos letais para matar Saddam, desde que atuando em "autodefesa"."Não é algo novo. Os Estados Unidos conspiram contra nós há mais de 30 anos e fazem o mesmo contra todos os países do mundo que demonstrem ser independentes", disse o chanceler Naji Sabr, de acordo com o diário iraquiano Al-Zhawara. Sabr afirmou que, com essas ameaças, os americanos tentam desviar a atenção da opinião pública para os problemas internos dos EUA."Nós enfrentamos a agressão americana há 11 anos e, nesses 11 anos, escutamos muitas ameaças desse tipo", completou Sabr, referindo-se à Guerra do Golfo, na qual uma aliança militar internacional liderada pelos EUA forçou a saída do Exército do Iraque do Kuwait, que o país invadira em 1990."O Iraque se torna cada dia mais ameaçador. A cada dia que passa seu programa armamentista fica mais maduro. Sua capacidade em armas de destruição em massa e sua habilidade para lançá-las evoluem também", afirmou o secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld. Ele não confirmou especulações cada vez mais fortes em Washington de que os EUA preparam um ataque para derrubar Saddam.O diário The New York Times informou nesta segunda que a nova doutrina de segurança nacional, autorizando ataques preventivos contra países ou terroristas que tentem atacar os EUA, poderá estar pronta em agosto, semanas antes do previsto. A nova doutrina abriria caminho para um ataque ao Iraque. Rumsfeld não quis comentar o assunto com a imprensa, alegando que ele está sendo tratado pelo Conselho de Segurança.

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