Iraque e Síria retomam relações após 25 anos

O Iraque e a Síria anunciaram nesta terça-feira e restauração de relações diplomáticas, após 25 anos de ruptura. O anúncio foi feito pelos ministros de Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyar Zebari, e da Síria, Khaled al-Moualem, em entrevista coletiva. Os presidentes sírio e iraquiano receberam um convite do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para um encontro em Teerã tendo como tema o caos no Iraque. O porta voz do presidente iraquiano Jalal Talabani disse que seu chefe iria participar, mas o presidente Bashar Assad não iria. O convite foi pensado como uma iniciativa do Irã que vai de encontro com as intenções dos EUA, de incluir a Síria e o Irã em um esforço regional mais amplo para mitigar a violência no Iraque. Tanto analistas quanto os EUA acreditam que, com o fracasso do projeto americano para o Iraque e para o Oriente Médio, a solução para a violência no Iraque está no fortalecimento da diplomacia regional. A Síria rompeu seus laços diplomáticos com o Iraque em 1982, acusando o Iraque de incentivar levantes pela Irmandade Muçulmana banida na Síria. Damasco também se aliou ao Irã na guerra Irã - Iraque, entre 1980 e 1988. Laços comerciais foram restaurados em 1997. Mais recentemente, acredita-se que a Síria tenha feito pouco para impedir que combatentes estrangeiros e recrutas da Al-Qaeda atravessem sua fronteira para se unir aos insurgentes sunitas no Iraque. O país também teria providenciado refúgio para muitos altos membros da administração de Saddam Hussein. Há indícios de que eles teriam levantado dinheiro e armas para os insurgentes. A insurgência sunita, desde que começou em 2003, tem sido responsável pela maioria das mortes de americanos no Iraque. O anúncio da restauração dos laços sírio-iraquianos ocorreu durante uma visita do ministro do Exterior sírio Walid Moallem a Bagdá "As últimas conversas entre as partes síria e iraquiana foram coroadas pela declaração de uma nova era, com a participação dos irmãos sírios no trabalho pela segurança e estabilidade no Iraque, e pela total restauração das relações diplomáticas", disse o porta-voz do governo iraquiano Ali al-Dabbagh. Na segunda-feira, Moallen foi desafiado sobre o papel de Damasco no apoio da insurgência sunita. "Fazemos objeção a qualquer país vizinho que permite ser ele mesmo uma base, ou local de trânsito, para grupos terroristas que agem no Iraque", disse o premier Nouri al-Maliki após encontro com o enviado sírio. Al Maliki disse a Moallen que Damasco não deveria deixar suas disputas com os EUA serem resolvidas no Iraque, onde o caos e o derramamento de sangue se tornou "um perigo que ameaça a todos, não apneas o Iraque." Questionado sobre a visita síria, o porta-voz do Departamento de Estado Tom Casey disse que "o problema não é o que dizem, mas o que fazem". "Com certeza gostaríamos de ver os sírios agindo também, entre outras coisas, impedindo combatentes estrangeiros atravessar a fronteira em direção ao Iraque; e, novamente, apoiando as palavras positivas que declararam com passos realmente concretos", disse Casey.

Agencia Estado,

21 Novembro 2006 | 07h42

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