Iraque entra na rota do turismo de aventura

Grupo de ocidentais ignora riscos e realiza primeiro tour

Campbell Robertson, NYT, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2009 | 00h00

Jo Rawlins Gilbert, uma aposentada de 79 anos da Califórnia, é uma turista com histórico respeitável. Primeiro, Grã-Bretanha. Depois, o restante da Europa. Por fim, ela e o marido, que morreu em 2004, foram ao Tibete quando ele fez 80 anos. Já com idade avançada, ela se tornou uma aventureira, tendo visitado Síria, Iêmen, Bósnia e até Afeganistão. O que poderia superar isso? Bem, ali estava ela no saguão de um hotel de Bagdá, encerrando um tour de 17 dias por um dos destinos mais perigosos do mundo.É discutível se o Iraque pode ser descrito como aberto. Mas Rawlins é membro de um grupo - na maioria pessoas idosas e de meia-idade, quase todos solteiros - que tem a honra de estar no primeiro tour oficialmente sancionado de ocidentais pelo Iraque desde 2003 (sem considerar o enclave mais seguro do Curdistão). Seu guia é Geoff Hann, de 70 anos, dono da Hinterland Travel, uma empresa britânica especializada em viagens de aventura.A viagem foi bem menos perigosa do que a maioria esperava. Na sexta-feira à noite, um casal de britânicos grisalhos comprou cerveja Heineken gelada no centro de Bagdá e caminhou para casa no escuro. O Ministério do Turismo e Antiguidades, que ajudou a organizar o tour, ofereceu guardas armados para a viagem, mas Hann disse que eles eram restritivos demais. Assim, o grupo foi levado num miniônibus com pouca ou nenhuma segurança.Eles estiveram na Babilônia e em Basra, Ur e Uruk, nos santuários xiitas de Kerbala e Najaf, lugares onde, não faz muito tempo, qualquer visita dispensaria a passagem de volta. O Iraque está bem mais estável e seguro do que estava dois anos atrás. Mas os episódios diários de violência continuam (mais informações no box). Quase todos no grupo de oito pessoas estiveram no Afeganistão. É quase impossível fazer um seguro, que não é fornecido pela companhia. Por isso, os turistas dessas viagens de aventura geralmente são pessoas mais velhas, pois, segundo Hann, elas já não têm muito o que temer.O mais novo é David Chung, de 36 anos, vice-presidente de uma empresa de gestão de ativos em Manhattan. Chung já esteve em Argélia, Nepal, Sri Lanka, Arábia Saudita, Sudão, Eritreia, Paquistão - e a lista continua. "Tiro minhas melhores ideias de viagens da lista de advertência sobre países em risco preparada pelo Departamento de Estado", disse.

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