Iraque entrega declaração sobre arsenal amanhã

O governo iraquiano entregará amanhã à tarde aos inspetores de armas da ONU, em Bagdá, a declaração sobre seus programas de armas químicas, biológicas e nucleares requerida pela Resolução 1.441, anunciou hoje seu embaixador na organização, Mohammed Al-Douri. Cópias serão enviadas para a sede do Conselho de Segurança (CS) da ONU depois de amanhã, último dia de prazo para a apresentação desse documento. Mas Al-Douri repetiu a posição de seu governo. O país não vai relacionar armas de destruição em massa em seu poder porque não as possui mais. A declaração conterá, porém, novos elementos e uma "imensa quantidade de informação", segundo Al-Douri. "Nós já dissemos várias vezes que não temos mais armas de destruição em massa. Tudo foi destruído e não temos intenção de fabricá-las de novo", afirmou. "Se os americanos têm provas, eles têm de dizer isso para os inspetores que estão no Iraque para que eles as busquem." O CS autorizou hoje a equipe de verificadores do arsenal em Bagdá a receberem a declaração para garantir que nenhuma informação sobre armas químicas, biológicas ou nucleares venha a público nem sequer seja repassada aos países membros do conselho. O chefe da equipe de inspetores, Hans Blix, disse ter entendido que o relatório será em árabe e inglês e conterá mais de 10 mil páginas. Em Bagdá, circula a informação de que o documento tem 13 mil páginas. Ele fará um relato ao CS sobre o documento no início da semana que vem. "Todos os governos estão conscientes de que eles não deveriam ter acesso a nada que os demais também não possam ver", frisou Blix. Diplomatas integrantes do CS disseram que a Rússia e outros países membros temem que a declaração contenha "receitas" de armas químicas e biológicas e outro tipo de informação quer poderia levar à proliferação de armas de extermínio. Blix negou estar sob pressão dos EUA para pôr em prática alguns dos mais duros itens da Resolução 1.441, como a retirada do país de cientistas que estejam dispostos a falar sobre os programas de armas do Iraque. Mas ele lembrou que a medida do CS insta todos os países membros da ONU a proverem informações sobre armas proibidas. "Nós não vamos seqüestrar ninguém. E não estamos agindo como uma agência para facilitar deserções." As equipes da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) retomaram no dia 27 a vistoria dos locais suspeitos de produzir ou conter armas de extermínio no Iraque, dando prosseguimento a um trabalho interrompido em 1998. Na época, o governo iraquiano pôs vários obstáculos às verificações e acusou a equipe da ONU de estar inflitrada de espiões americanos. A declaração que o Iraque entregará amanhã levará várias semanas para ser analisada por especialistas porque terá de ser comparada com o material de um banco de dados da ONU que contém 1 milhão de páginas, disseram funcionários do órgão. E a análise terá de esperar a tradução das partes apenas no idioma árabe. Os EUA e a Grã-Bretanha asseguram que o Iraque mantém seu programa de armas de destruição em massa.

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