Iraque esconde total de urânio comprado do Brasil

Relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informam que o Iraque tentou esconder da ONU o montante exato de urânio que teria importado do Brasil na década de 80. Segundo a Agência, outros países também venderam o material para Bagdá, mas o produto brasileiro foi um dos únicos que não foi totalmente declarado por Saddam Hussein. Em entrevista dada ao Times e publicada no jornal O Estado de S. Paulo, um cientista iraquiano alertou que Bagdá poderia ter usado urânio brasileiro para a construção de uma bomba nuclear. A AIEA confirmou, em documentos obtidos pela Agência Estado, que, em suas investigações no Iraque entre 1991 e 1997, encontrou produtos brasileiros em grande escala estocados nas zonas militares do país. Segundo a Agência, oficialmente foram contabilizados 24 tonelas de dióxido de urânio. O problema, segundo a AIEA, é que de todas as compras declaradas por Bagdá à ONU após a Guerra do Golfo, em 1991, uma das únicas não mencionadas pelas autoridades iraquianos foram as cargas que chegaram do Brasil. Um desses carregamentos não declarados teria sido feito em 1982. O Iraque, porém, alegou que não informou à ONU pois não saberia dizer exatamente quantos quilos de urânio teriam desembarcado do Brasil. Segundo Bagdá, o carregamento já havia saído do Brasil sem qualquer tipo de documentação. Além disso, o governo iraquiano informou que não pesou o material quando o urânio foi finalmente entregue. Diante da decoberta, a AIEA foi obrigada a conduzir investigações sobre o dióxido de urânio brasileiro no Iraque. A constatação chocou os inspetores: o produto que o Iraque teria tentado esconder da fiscalização internacional era de melhor qualidade que as demais importações declaradas pelo Iraque. O tema foi apenas esclarecido em 1994, quando o Brasil passou a aceitar as regras internacionais e forneceu informações sobre suas vendas. Na época das vendas, o Brasil não fazia parte do Tratado de Não-Prileferação de Armas Nucleares, fato que o isentava de informar transferências de urânio. Até 1998, o produto brasileiro ficou sob a guarda da AIEA, no Iraque. Mas desde a saída dos inspetores do território iraquiano, o destino dos produtos é pouco conhecido. Além do Brasil, a AIEA informa que a Itália exportou 1,7 mil quilos de urânio enriquecido em 2,6% ao governo de Bagdá em 1982. Antes, em 1979, os italianos já haviam vendido urânio natural aos iraquianos. Portugal e Nigéria também faziam parte dos governos que supriam Bagdá. Outros países que exportaram urânio à Saddam Hussein foram a Rússia e a França, ambos nos anos 80. No caso dessas vendas, a AIEA informa que se tratou de urânio altamente enriquecido.

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