Iraque está perdendo a chance da reconciliação, diz Gates

Em sua terceira visita ao Iraque em quatro meses, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, afirmou que o país está perdendo a chance de reconciliação entre facções, endurecendo seu discurso aos líderes do país. Ele diz que a paciência da população dos Estados Unidos com a guerra está ficando cada vez menor.Em sua viagem surpresa pelo país, o chefe do Pentágono ressaltou que as lideranças iraquianas devem trabalhar mais arduamente para acabar com a violência sectária e que o governo do presidente George W. Bush está trabalhando para acelerar processo de retirada de tropas."Os iraquianos têm de saber que este não é um compromisso com final em aberto", afirmou ele, aparentemente se referindo à presença militar americana no Iraque. Nesta sexta-feira, 20, o secretário deve visitar um posto avançado do Exército e da Polícia Iraquiana, um peça-chave na luta contra o terrorismo e a violência sectária em Bagdá.O objetivo deste encontro é avaliar os progressos conseguidos com o plano de segurança Aplicamos a Lei, vigente desde meados de fevereiro e que em suas primeiras semanas reduziu a violência, mas que ultimamente está mostrando certas deficiências. Gates também se reunirá com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e outras autoridades do país.Na véspera da visita de Gates, uma onda de ataques com carros-bomba matou quase 200 pessoas, no dia mais violento na cidade desde o início da atual operação de segurança. Na última semana, um homem-bomba invadiu o prédio do Parlamento, localizado em uma área da capital Bagdá fortemente protegida pelas forças de segurança, a Zona Verde, e matou uma pessoa na lanchonete do edifício. O atentado foi o primeiro a desestabilizar a atuação do Exército no país.Esta é a terceira visita de Gates ao Iraque desde que ele se tornou secretário de Defesa, mas a primeira desde que o presidente George W. Bush decidiu enviar cerca de 30 mil soldados adicionais para tentar controlar Bagdá, numa operação que é vista por muitos como a última chance de evitar uma guerra civil.

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