Iraque estimula diálogo entre EUA e Irã

O chanceler iraquiano, Hoshiyar Zebari,conclamou na quarta-feira a Irã e Estados Unidos que deixem delado as acusações mútuas e se sentem para uma quarta rodada deconversas em busca de soluções para os problemas de segurançano Iraque. Os dois arquiinimigos já se reuniram três vezes no Iraqueem 2007, numa das poucas oportunidades de contatos diretosentre eles. Segundo Zebari, o processo está paralisado, mas háesperanças de que possa ser retomado em breve. Os iraquianos se mostram constantemente preocupados em nãopermitir que seu território se torne um cenário para disputasentre EUA e Irã. Washington acusa Teerã de patrocinar milícias xiitas doIraque e de tentar desenvolver armas nucleares. A RepúblicaIslâmica rejeita ambas as acusações e diz que as turbulênciasno país vizinho são consequência da presença militarnorte-americana. "Acreditamos ser muito importante trazer ambas as partespara a mesa de negociação a fim de discutir as questões dasegurança iraquiana", disse Zebari em entrevista coletiva. "Nãopodemos atualmente fazer isso acontecer, com ambos os paísestrocando acusações." Zebari não esconde sua frustração com a demora em marcar adata para uma nova rodada de conversas entre EUA e Irã emBagdá. Os norte-americanos se dizem prontos para a quartarodada, adiada várias vezes pelos iranianos nos últimos meses. Um dos poucos resultados concretos das três rodadasanteriores foi a criação de um comissão conjunta para questõesde segurança. "Até agora, não há compromisso com uma quarta data, emboraa intenção permaneça," disse Zebari. "Embora as conversasestejam paradas, estão longe de estarem mortas. Vamos continuarnossos esforços para que ambas as partes aceitem uma nova data.Não perdemos a esperança." Mas, na segunda-feira, Teerã afastou tal perspectiva,acusando as forças norte-americanas de cometerem um "massacre"contra o povo iraquiano na sua ofensiva das últimas semanascontra a milícia xiita Exército Mehdi na favela de Sadr City,em Bagdá. O governo iraquiano é dominado por xiitas moderados, quetêm ligações religiosas e culturais com o Irã, mas recebemapoio de Washington. (Reportagem adicional de Aseel Kami e Khalid al-Ansary)

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