Iraque, Filipinas, Indonésia, Malásia - novos alvos

Iraque, Filipinas, Indonésia e Malásia estão entre os países aos quais os Estados Unidos poderão levar a guerra contra o terrorismo iniciada no último domingo com ataques aéreos contra o regime do Taleban e a organização terrorista Al-Qaeda, no Afeganistão. Um dia depois de ter enviado carta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para informar que Washington poderá, por necessidade de autodefesa, "realizar ações adicionais" contra "outras organizações e outros Estados", o embaixador norte-americano na ONU, John Negroponte, convidou o representante do Iraque, Mohammed Douri, para ir à representação norte-americana e fez-lhe uma advertência solene. Se o presidente Saddam Huseein tentar prestar assistência às forças contra as quais os EUA lutam no Afeganistão, se fizer qualquer movimento de tropas ou de meios militares que sugira a intenção de ameaçar países vizinhos ou se investir contra seus inimigos internos, no sul e no norte do país, "haverá um ataque militar contra vocês e nós os derrotaremos". O ultimato reflete a preocupação da administração Bush de impedir que o líder iraquiano, um arquiinimigo dos EUA que sobreviveu no poder apesar da humilhante derrota que sofreu na Guerra do Golfo, dez anos atrás, aproveite-se da situação extremamente volátil criada na região pelas ações americanas no Afeganistão e faça provocações que poderiam levar Washington a iniciar ataques contra o Iraque além das zonas de exclusão aérea estabelecidas no norte e no sul do país. Ambas já são patrulhadas por aviões norte-americanos e aliados. Os estrategistas norte-americanos estão conscientes de que uma ampliação da guerra para novos alvos no Iraque colocaria em risco o apoio da coalizão internacional para a guerra contra o terrorismo, sobretudo no mundo árabe. "Queremos deixar abundantemente claro (aos iraquinaos) que seria uma estupidez" da parte deles tentar tirar benefício da situação, disse ao Washington Post um alto funcionário do Departamento de Estado. "A mensagem básica é que nós esperamos que eles exerçam grande cautela, que os estamos observando cuidadosamente e que temos rápida capacidade de resposta na região se houver necessidade." Segundo a mesma fonte, Douri retornou à representação norte-americana na ONU, mais tarde, para dizer que Badgá não tinha intenção de realizar operações militares. Numa entrevista, o embaixador iraquiano negou que seu governo mantenha hoje ou tenha tido no passado qualquer relação com o Taleban ou com Osama bin Laden - uma suspeita que existe no setor mais duro da administração Bush. Na Ásia, o foco de preocupação dos Estados Unidos são os grupos de militantes islâmicos que tem conexões com a Al-Qaeda, a organização liderada por Osama bin Laden. Nas Filipinas, um país predominantemente católico, as atenções norte-americanos estão voltadas para o grupo Abu Sayyaf, que quer estabelecer uma república islâmica nas ilhas de Basilan e Sulu, a oeste da ilha de Mindanao, a maior do arquipélago filipino. Seu líder, Abdujarak Abibakar Janjalani, lutou com os rebeldes afegãos contra os ocupantes soviéticos do Afeganistão, nos anos 80. De volta às Filipinas, tornou-se um aliado da Al-Qaeda. Um cunhado de Bin Laden, Mohammed Jalal Khalifa, dirigiu a Universidade Al Makdum e a representação da Organização Internacional Islâmica de Assistência na cidade de Zamboanga, na ilha de Mindanao. Depois dos ataques de 11 de setembro contra os EUA, a presidente das Filipinas, Gloria Macapagal-Arroyo, disse que havia "traços de uma relação" entre a Abu Sayyaf e os terroristas que atacaram o World Trade Center e o Pentágono e ofereceu aos EUA o acesso ao espaço aéreo de seu país, bem como o uso das ex-bases americanas de Clark e Subic Bay, para operações da guerra contra o terrorismo. Na Indonésia, a maior nação islâmica do planeta, as autoridades acreditam que dois grupos de fundamentalistas - Laskar Jihad e a Frente de Defesa Islâmica - receberam dinheiro, armas e homens da organização de Bin Laden. Fontes norte-americanas citadas pelo The New York Times disseram que membros da Al Qaeda transitaram pelo aeroporto de Kuala Lumpur, a capital da Malásia, onde o islamismo é uma das principais religiões. Pelo menos um dos seqüestradores de 11 de setemebro, Khalid Al-Midhar, foi filmado num encontro de uma célula terrorista em Kuala Lumpur, em janeiro do ano passado. Leia o especial

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