Iraque invade Irã e dá início à guerra

Conflito por território durou oito anos, deixou 1 milhão de mortos e bilhões de dólares em perdas

Rose Saconi, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

A guerra no Golfo Pérsico começou em 22 de setembro de 1980, quando tropas do Iraque atravessaram o Rio Chat-el-Arab, na fronteira sul com o Irã. No dia 17 daquele mês, o presidente iraquiano, Saddam Hussein, havia denunciado os acordos de Argel, estabelecidos em 1975, que fixaram os limites territoriais dos dois países.

Com a ofensiva, o Iraque pretendia recuperar territórios perdidos com esses acordos.

"O conflito entre Iraque e Irã transformou-se em guerra total, ameaçando o fornecimento de petróleo ao Ocidente", noticiou o Estado em manchete. "A capital iraniana foi bombardeada pela aviação iraquiana, num ataque-surpresa", dizia o texto enviado de Jerusalém pelo correspondente do jornal Moisés Rabinovici.

Erro de cálculo. Na época da invasão, o governo iraquiano acreditava que o Exército do Irã, convulsionado pela revolução, se renderia em questão de semanas. Acreditava ainda que encontraria um país enfraquecido pela recente Revolução Islâmica dos fanáticos inspirados pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Deu-se mal. Não só os ataques serviram para unir os iranianos, como o país demonstrou ter fôlego e disposição para o longo conflito que viria.

No dia 22 de setembro, o presidente iraquiano, Saddam Hussein, deu ordem de ataque a suas forças para punir "provocações" do inimigo. Dez aeroportos iranianos foram bombardeados pelas forças iraquianas.

No dia 28, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou resolução exigindo o cessar das hostilidades, mas as forças do Iraque ganharam terreno dentro do país vizinho.

A ofensiva do Iraque durou até junho de 1982, mas resultou na conquista de apenas alguns milhares de quilômetros quadrados do território inimigo.

A primeira contraofensiva iraniana foi encerrada em 1984, quando os jovens voluntários de Khomeini estiveram próximos da tomada das Ilhas Majnum. Nessa fase do conflito, as forças de Bagdá passaram a utilizar armas químicas, dando origem a uma série de condenações por parte da ONU.

A guerra durou oito anos e deixou 1 milhão de mortos, milhares de cidades e vilas destruídas e bilhões de dólares em prejuízos, além de US$ 200 bilhões em gastos militares.

Foi o mais sangrento conflito desde a 2.ª Guerra. Também deixou arrasadas as economias dos dois países ao golpear profundamente a produção e exportação de petróleo, praticamente a única fonte de receita de Irã e Iraque.

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