AP Photo/Bram Janssen
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Iraque mantém supostos membros do EI em cadeias superlotadas 

Repórteres da agência de notícias 'Associated Press' visitaram a instalação e viram mais de 100 homens aprisionados em uma cela escura, sentados e alinhados ombro a ombro no chão

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2017 | 21h16

MOSSUL - Centenas de suspeitos de pertencer ao grupo terrorista Estado Islâmico expulso pelas forças iraquianas da cidade de Mossul estão sendo mantidos em cadeias superlotadas e abafadas do lado de fora da cidade. 

Repórteres da agência de notícias Associated Press visitaram a instalação e viram mais de 100 homens aprisionados em uma cela escura, sentados e alinhados ombro a ombro no chão. Não havia eletricidade ou ventilação, ainda que a temperatura durante o dia na região pudesse alcançar os 45 graus. 

Um oficial iraquiano que supervisiona o local informou que atualmente são mantidos cerca de 370 prisioneiros. Segundo ele, as autoridades locais estavam sobrecarregadas com detidos pelas forças iraquianas na retomada das regiões vizinhas da cidade no início deste mês, ao fim de uma dura campanha militar de nove meses. 

"Prisioneiros estão infectados com doenças, muitos problemas de saúde e pele, porque eles não estão sendo expostos ao sol", disse essa fonte. "A maioria não pode andar. Suas pernas estão inchadas porque eles não podem se mover (dentro das celas)", afirmou o oficial, acrescentando que uma equipe médica da província visita os prisioneiros "ocasionalmente". 

Mais de 1.150 detidos passaram pela prisão nos últimos três meses - 540 foram enviados para Bagdá para mais investigação -, informou o oficial. 

Outros 2,8 mil prisioneiros estão sendo mantidos na base aérea Qayara ao sul de Mossul, e centenas mais em algumas outras pequenas prisões. O oficial falou sob condição de anonimato porque não estava autorizado a dar informações sobre eles aos repórteres. 

O grupo Estado Islâmico tomou Mossul quando avançou pelo norte e centro do Iraque no verão de 2014.  

As forças iraquianas, apoiadas pelos Estados Unidos, combateram bloco a bloco para retomar a cidade, os militantes cercaram os civis e os usaram como escudos humanos. Muitos combatentes também deixaram a cidade escondidos em meio aos residentes, complicando os esforços das forças iraquianaas para separar os militantes dos civis. 

Prisioneiros que foram discretamente entrevistados pela AP insistiram ser inocentes. Eles não quiseram se idenificar temendo retaliação. 

"Você não encontra dez realmente membros do EI entre esses homens. E todos eles já passaram mais de seis meses aqui", disse um prisioneiros sem ser ouvido pelos guardas. "Desde que cheguei, aqui oito meses atrás, eu só vi a luz do sol uma vez."

Ele disse ser um funcionário público que trabalhava entre Bagdá e Mossul antes de ser detido. "Eles disseram que meu nome estava nos seus arquivos. Nunca vi uma corte ou um juiz. Eu nem sei do que estou sendo acusado. Muitos nomes aqui são homônimos", disse. 

 

Ele disse que dois prisioneiros já morreram na cela. Alguns prisioneiros, explicou, "saíram daqui com pus em suas feridas. Uma vez no hospital, eles voltavam com pernas ou braços amputados". 

"Nós realmente queremos morrer", disse outro prisioneiro. "Nenhum de nós recebeu qualquer visita, de parente ou família. Eles nem sequer sabem onde estamos." /AP 

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