'Iraque não está pronto para retirada dos EUA'

Chefe das Forças Armadas iraquianas diz que Exército ainda não está treinado e tropas americanas deveriam ficar até 2020 no país

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

O comandante das Forças Armadas iraquianas afirmou ontem que o Exército do Iraque não está preparado para a retirada das tropas americanas no fim de 2011. Segundo o general Babakir Zebari, seria melhor que os EUA mantivessem seus soldados no país árabe por pelo menos mais dez anos.

"Neste momento, a retirada vai bem porque os americanos ainda estão aqui", disse Zebari, em entrevista à France Presse. "O problema será a partir de 2011. Se fosse questionado sobre a retirada, diria aos políticos (iraquianos) que as forças dos EUA devem permanecer até que o Exército do Iraque esteja completamente preparado, em 2020."

A declaração do general foi feita dias antes de os EUA concluírem a remoção de suas forças de combate do Iraque. A partir do fim do mês, os americanos manterão um contingente de cerca de 50 mil militares para logística e treinamento dos soldados iraquianos. Durante o "surge" (aumento dos soldados americanos no país), entre 2006 e 2007, os americanos chegaram a ter 165 mil homens no Iraque.

Por meio de um porta-voz, o governo iraquiano reagiu às afirmações do general dizendo que não há planos para renegociar a retirada das forças americanas no fim de 2011, apesar de admitir que o Exército não estará 100% pronto. Atualmente, as forças de segurança iraquianas contam com 400 mil policiais e 220 mil soldados.

O general americano Steve Lanza afirmou que, no momento, as forças iraquianas são capazes de garantir a segurança interna. "O Iraque está rapidamente desenvolvendo capacidade para defender-se de ameaças externas", disse Lanza. O militar americano admitiu, porém, que ainda há muito trabalho a ser feito até o fim da missão dos EUA no país, em dezembro de 2011.

Segurança. A violência no Iraque atingiu níveis quase incontroláveis em 2006, mas tem diminuído nos últimos anos. Hoje, Bagdá ainda não pode ser considerada uma cidade segura, mas empresários, jornalistas e até turistas conseguem circular sem muitos riscos pela capital iraquiana. Voos internacionais, até mesmo para a Europa, já foram retomados.

Além da questão da segurança, o Iraque precisa resolver a crise política. Os parlamentares ainda não conseguiram chegar a um acordo para formar um novo governo depois das eleições realizadas em maio.

PARA LEMBRAR

O presidente dos EUA, Barack Obama, sentiu a pressão contra o prolongamento dos conflitos no Afeganistão e no Iraque no fim de julho, ao acompanhar a votação na Câmara dos Deputados de uma verba adicional de US$ 37 bilhões para financiar as duas frentes de combate. O projeto foi aprovado por 308 votos a 114. O presidente americano só conseguiu esse resultado após forte apoio da oposição republicana. Ano passado, diante do mesmo desafio, apenas 32 democratas haviam se oposto à medida.

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