Iraque pede aos árabes que condenem os EUA

O ministro de Relações Exteriores iraquiano, Naji Sabri, pediu neste domingo que os governos de países árabes condenem o ataque liderado pelos EUA contra seu país e insistiu em que os bombardeios sejam suspensos durante o encontro semestral de chanceleres da Liga Árabe, que começa nesta segunda-feira no Cairo. Sabri estava no exterior quando a guerra começou e foi o primeiro representante a chegar à capital egípcia para o encontro.O sentimento antiamericano é forte no mundo árabe. Nos últimos dias ocorreram protestos em várias capitais do Oriente Médio, dos quais vários terminaram em choques com forças de segurança. Mas os governos da região mantêm com os EUA alianças militares e laços econômicos que os levaram a condenar apenas de fachada o ataque ao Iraque."Os governos árabes têm a obrigação de denunciar essa agressão sionista e imperialista e exigir sua imediata interrupção", disse Sabri. "Eles tem de condená-lo porque todo o povo árabe condena."O vice-presidente Tha Yassin Ramadan disse numa entrevista, em Bagdá, que seu país não espera muito dos dirigentes árabes e, por isso, exortava a população desses países a reagir. "Não há nenhuma esperança nesses líderes. Todo árabe e todo o muçulmano deveria tornar-se uma bala diante da agressão."No entanto, diplomatas árabes confidenciam a jornalistas que os chanceleres não vão ir além da habitual retórica de apoio ao Iraque, nos pronunciamentos na reunião da Liga. Numa reunião de cúpula da Liga Árabe no início do mês, chefes de Estado e de governo defenderam uma solução pacífica e prometeram que seus países não permitiriam o uso de suas instalações pelo esforço de guerra norte-americano - algo inverídico, já que os EUA estão usando bases de vários países do Golfo e o espaço aéreo da Arábia Saudita e Jordânia para lançar mísseis contra o Iraque.A Jordânia se tornou hoje o primeiro país árabe a expulsar diplomatas iraquianos, atendendo a pedido dos EUA. O Kuwait - invadido pelas forças de Saddam em 1990, fato que desencadeou a Guerra do Golfo - foi o ponto de partida para a invasão terrestre do território iraquiano. O Bahrein é a sede da 5ª Frota Naval dos EUA. No Catar está o Comando Central Militar, que coordena os esforços de guerra.O presidente egípcio, Hosni Mubarak - um dos críticos de Saddam - disse hoje que o Egito tentou de tudo para evitar uma guerra agora teme que ela não vá terminar logo. "Os americanos disseram que ela seria curta, mas o que eu temo é que será prolongada, o que poderá causar um grande número de vítimas e isso terá impacto sobre a população da região."No Líbano, palco de violentos protestos contra a invasão norte-americana, o presidente Emile Lahoud expressou solidariedade com o Iraque, dizendo que guerra era "uma estrondosa violação dos direitos humanos, bem como das leis internacionais". Veja o especial :

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