Iraque pede prazo para avaliar programa de inspeções

Durante sua primeira reunião com diplomatas e altos funcionários iraquianos sobre questões práticas relativas à retomada das inspeções do arsenal de armas do Iraque, o chefe dos inspetores da ONU, o sueco Hans Blix, pediu nesta quarta-feira ao país de Saddam Hussein que responda a uma série de perguntas sobre o apoio que dará à realização do trabalho e às comunicações entre Bagdá e a organização.Alegando precisar consultar seus superiores sobre "aspectos práticos", os representantes iraquianos marcaram nova reunião para o dia 30, em Viena. Os "detalhes" incluem a definição do local onde os helicópteros dos inspetores aterrissarão, onde ficarão hospedados e se serão escoltados, bem como o acesso que terão aos lugares suspeitos de produzir armas de destruição em massa.Amanhã, Blix irá expor ao Conselho de Segurança da ONU os tópicos da conversa. Altos funcionários dos governos britânico e americano expressaram preocupação com o prazo de dez dias, mas Blix se mostra tranqüilo quanto à demora.Fontes no governo britânico ouvidas pelo diário The Guardian assinalaram que na carta enviada segunda-feira ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, aceitando a retomada incondicional das inspeções, o Iraque não expressou a intenção de garantir acesso irrestrito aos locais suspeitos - como quer o Conselho.Além disso, a carta fazia referência à "independência política do Iraque" - frase usada em ocasiões anteriores para barrar o acesso aos palácios presidenciais, para onde, segundo o setor de inteligência ocidental, o presidente Saddam Hussein teria transferido arsenais de armas.Demonstrando o ceticismo britânico, o primeiro-ministro Tony Blair instou a comunidade internacional a "manter a pressão sobre o Iraque" para que Saddam deixe de fato os inspetores entrarem e realizarem seu trabalho.Said Hassan, alto funcionário do Ministério de Relações Exteriores iraquiano, assegurou que as perguntas da ONU serão respondidas na próxima reunião, em Viena, mas o chanceler Naji Sabri reconheceu que seu país "não está de todo preparado". Ele se comprometeu, porém, a agir o mais depressa possível e estabelecer as datas para a aplicação imediata das inspeções.Os países membros do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico elogiaram a decisão iraquiana de permitir a retomada das inspeções. "É um passo positivo e importante, que pode conduzir ao levantamento do embargo imposto pela ONU ao Iraque (durante a Guerra do Golfo)", assinalou um comunicado da organização, integrada pela Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar e Omã. O Bahrein, sede da 5ª frota naval americana, expressou sua satisfação com a atitude iraquiana, também qualificada de decisão "importante e positiva", que poderá "evitar uma guerra na região".Mas os americanos continuam buscando apoio na região para um ataque. O chefe do Comando Central militar dos EUA, general Tommy Franks, reuniu-se hoje com o emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, como parte dos preparativos para um possível intervenção no Iraque. A agência oficial do emirado informou apenas que eles discutiram "questões regionais e a ampliação da cooperação militar".A base militar dos EUA no Catar está passando por obras que alimentam especulações sobre seu uso como local de lançamento de um ataque. Na semana passada, cerca de 600 membros do Comando Central, com sede na Flórida, foram transferidos para o Catar, oficialmente para um exercício militar em novembro. O Pentágono estuda manter permanentemente o comando regional para o Oriente Médio nesse país.

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