Iraque pede que ONU resista à "lei da selva"

O Iraque pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que resista à ?lei da selva? e derrube qualquer resolução autorizando uma guerra. Os principais inspetores de armas da ONU elogiaram hoje, perante o CS, a nova cooperação iraquiana.Os inspetores que se encontram em solo iraquiano tiveram hoje seu dia mais tranqüilo em semanas, supervisionando a escavação de bombas enterradas e visitando dois locais na cidade de Mosul.Em Nova York, o chefe dos inspetores de armas químicas e biológicas, Hans Blix, disse que a destruição dos mísseis Al Samoud-2 pelo Iraque representa uma ?medida substancial de desarmamento?, mas nem os inspetores, e nem as autoridades iraquianas explicaram por que não houve destruição de mísseis hoje. Este foi o primeiro dia, desde sábado, em que nenhum Al Samoud-2 foi esmagado.Mohammed Modhaffar al-Adhami, membro do Parlamento iraquiano, disse que os relatórios dos inspetores de armas deveriam bastar para evitar uma guerra. ?Espero que a administração americana detenha seus pecados e tenha a sabedoria de ouvir aos clamores por paz que ecoam em todas as partes da Terra?, disse.Mas não há indícios de que o governo de George W. Bush esteja recuando em sua disposição de atacar. O secretário de Estado Colin Powell disse ao CS que as intenções de Saddam Hussein ?não mudaram? e que o desempenho iraquiano ainda é ?um catálogo de não-cooperação?.Al-Adhami acusou Powell de distorcer as palavras de Blix.?Vemos que Colin Powell explicou o relatório da maneira que lhe agrada, para servir a seus propósitos malignos de lançar uma agressão contra o Iraque?, afirmou al-Adhami.Os EUA e o Reino Unido pretendem dar a Saddam até 17 de março para provar que está cooperando com o desarmamento ou enfrentar uma guerra, disseram diplomatas. A França rejeitou a proposta antes mesmo de ela vir a público, dizendo que vetaria qualquer resolução que buscasse autorizar uma guerra.O jornal Al-Thawra, porta-voz do partido Baath, de Saddam, disse que as resoluções são uma tentativa de EUA e Grã-Bretanha de buscar ?cobertura? para a guerra. ?Não há justificativa para a nova resolução e não há necessidade objetiva para ela?, disse o jornal em seu editorial. ?É nisso que todas as nações preocupadas com a segurança internacional, o prestígio das Nações Unidas e o respeito à lei internacional - em vez da lei da selva - deve insistir?.

Agencia Estado,

07 de março de 2003 | 16h18

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.