Iraque poderia ser próximo alvo da coalizão

O governo britânico declarou nesta terça-feira que a guerra contra o terrorismo internacional, liderada pelos Estados Unidos, restringe-se, por enquanto, ao Afeganistão, mas ressaltou que não descarta a possibilidade de ampliação dos ataques a outras regiões no futuro.Existe um acordo concreto para operações militares apenas em território afegão pelo menos até este momento, disse um porta-voz do primeiro-ministro britânico. "Nossos alvos são os campos de treinamento da rede terrorista Al-Qaeda (do saudita Osama bin Laden) e instalações militares do regime afegão do Taleban", insistiu o funcionário.Ele repercutia carta entregue na segunda-feira ao Conselho de Segurança da ONU pelo embaixador dos EUA, John Negroponte, na qual se afirma que Washington mantém aberta a possibilidade de estender os ataques outros países. Essa posição teria surpreendido alguns aliados americanos, incluindo a Grã-Bretanha.O próprio secretário-geral da ONU, Kofi Annan, manifestou-se "desconcertado" com essa posição. Ele disse ter pedido explicações à Casa Branca.Membros do governo americano, apontados como de linha-dura, estariam fazendo pressão sobre o presidente George W. Bush para incluir o Iraque no cenário das operações de combate ao terrorismo internacional.O porta-voz britânico negou categoricamente que exista algum conflito entre Washington e Londres sobre o alcance da ação militar. Ele reiterou em seguida que todos os membros da coalizão estão embuídos do mesmo objetivo: aniquilar o terrorismo.Contudo, diplomatas europeus acham que a extensão da campanha ao Iraque para "saldar velhas" contas com o presidente iraquiano, Saddam Hussein (um dos grandes inimigos de Washington) poderia representar o rompimento da coalizão antiterrorista. Isso provocaria o desligamento imediato dos Estados árabes moderados e de aliados-chave europeus, como a Rússia.Blair vem liderando a ofensiva diplomática em favor da coalizão antiterrorista e na tarde desta terça-feira embarcou para Genebra, onde se reúne amanhã com autoridades dos Emirados Árabes Unidos.Antes de partir, ele gravou um pronunciamento para o mundo árabe, que foi retransmitido pela rede de TV Al-Jazeera (considerada a CNN árabe), do Catar - a mesma utilizada por Bin Laden para definir a reação americana ao terrorismo como "guerra contra o Islã".O líder terrorista vestia uma jaqueta militar e usava um turbante afegão na cabeça, tendo entre os joelhos um fuzil de ataque AK-47. Blair vestia terno e gravata. Ele rebateu o discurso de Bin Laden."Não se trata de Ocidente versus Islã", ressaltou o primeiro-ministro britânico. "Muçulmanos honrados, milhões deles em países europeus, têm condenado esses atos terroristas", acrescentou. "Ele (Bin Laden) deixou claro quer impor ao mundo árabe o mesmo regime do Afeganistão. Eu não creio que ninguém queira, seriamente, viver sob esse tipo de regime."Em Washington, o presidente Bush recebeu nesta terça-feira o chanceler alemão, Gehard Schroeder, que reafirmou o desejo da Alemanha de colaborar irrestritamente com a coalizão, incluindo participação nas operações militares.Antes desse encontro, o chanceler alemão esteve na ONU, onde se reuniu com Annan.Leia o especial

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