Iraque quer fazer parte da OMC

Em meio a ataques e mesmo distante de ter uma economia estabilizada, o Iraque quer fazer parte da Organização Mundial do Comércio (OMC). Pelo menos foi isso que anunciou, hoje, o ministro interino do Comércio do país, Ali Allawi, em uma conferência em Bagdá. A informação foi recebida na sede da OMC, em Genebra, com surpresa. Os iraquianos afirmam que o processo de adesão poderia levar até 18 meses e que iniciariam logo o processo. Especialistas da OMC alertam que para que o processo seja claro, o Iraque ainda precisará ter um governo soberano e que seja reconhecido pelos 146 membros da entidade máxima do comércio. "Mesmo que isso seja resolvido, há vários aspectos políticos e legais que ainda terão de ser avaliados ", afirmou um jurista que trabalha na OMC e que lembra que o processo de adesão da China levou quase 17 anos para ser concretizado. No caso do Iraque, porém, não é segredo que o maior estímulo para a entrada na OMC vem do governo dos Estados Unidos, que gostaria de ver Bagdá seguindo as regras internacionais do comércio. Já da parte dos iraquianos, um acordo de adesão facilitaria as exportações de seus produtos aos demais mercados. Mas mesmo com o apoio americano, o processo promete ser complexo. Um dos maiores problemas de uma adesão do Iraque à OMC será o tratamento que o país dará aos bens e serviços prestados por estrangeiros no território iraquiano. Atualmente, os contratos de reconstrução do Iraque estão sendo oferecidos aos países que apoiaram os Estados Unidos na guerra para derrubar Saddam Hussein. No caso da adesão do país à OMC, não poderá haver discriminação entre os prestadores de serviço e todos poderão tentar vender seus produtos no mercado local. "O princípio básico da OMC é a não discriminação entre os países", alertou um economista que está na organização há quase 30 anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.