Iraque recebeu pistas, mas não conseguiu evitar ataques

As forças de segurança iraquianas receberam pistas sobre os ataques suicidas ocorridos nesta semana, poucas horas antes das explosões que mataram 127 pessoas. As informações foram dadas hoje pelo deputado xiita Haider al-Ibadi, após uma reunião a portas fechadas com o governo. No entanto, as pistas eram vagas e chegaram muito tarde para impedir as explosões, teria dito o ministro da Defesa, Abdul-Qader al-Obeidi, aos legisladores.

AE-AP, Agencia Estado

12 de dezembro de 2009 | 19h00

A sessão especial do Parlamento foi convocada para questionar os encarregados da segurança iraquiana sobre as falhas na segurança, que permitiram o ataque na capital. "Os ministros disseram que não podiam garantir que tais operações não serão repetidas", disse Al-Ibadi após o encerramento da sessão. Segundo ele, funcionários dos ministérios do Interior e forças de segurança de Bagdá obtiveram pistas sobre os ataques suicidas na terça-feira. "E esta informação foi divulgada para as forças de segurança, mas havia pouco tempo para que elas pudessem interrompê-los", disse.

Nenhum dos altos funcionários de segurança falou em público após a sessão. Mais tarde, a emissora estatal de televisão Al-Iraqiya mostrou imagens de Al-Obeidi e do ministro do Interior, Jawad al-Bolani, falando ao Parlamento. As declarações, porém, não continham comentários sobre as pistas. Al-Bolani defendeu as forças de segurança iraquiana e disse que as autoridades impediram um dos atacantes de atingir um dos alvos, que era o Ministério do Trabalho.

Al-Bolani também elogiou a polícia iraquiana por ter confrontado um atacante em outra área de Bagdá. "Acho que as forças de segurança cumpriram suas tarefas, e a prova é que os terroristas não conseguiram atingir os alvos que haviam planejado" em alguns casos, disse Al-Bolani, nas imagens transmitidas.

Mas o Parlamento não ficou satisfeito. Os deputados exigiram uma explicação adequada para o fato de os suicidas terem entrado no centro de Bagdá, onde a segurança é reforçada, para lançar cinco bombas, todas detonadas uma hora depois da outra.

Al-Ibadi disse que os responsáveis pela segurança lembraram que foi aberto fogo contra três dos suicidas, que ainda assim conseguiram detonar os carros que dirigiam. Um quarto carro-bomba não foi indentificado antes da detonação.

Em outras imagens mostradas pela Al-Iraqiya, Al-Obeidi disse que as forças de segurança enfrentam um enorme desafio, porque os carros-bomba são cada vez mais construídos em lojas de Bagdá e preparados nas proximidades de seus alvos. Ele também tentou transferir parte da culpa para o Parlamento, reclamando que funcionários do Exército e da inteligência do país não têm dinheiro para recrutar informantes. Um comunicado oficial detalhando a reunião diz que Al-Bolani afirmou que as falhas na segurança ocorreram por conta de mal-entendidos, burocracia e brigas dentro do governo.

Tudo o que sabemos sobre:
terrorismoataquesIraquepistas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.