Iraque recorre a ataque aéreo contra Al-Qaeda; EUA e Irã oferecem ajuda

Preocupados com controle de radicais sunitas sobre Faluja e Ramadi, duas das cidades iraquianas mais importantes, americanos prometem apoiar reação 'sem envio de tropas'

Agência Estado

05 de janeiro de 2014 | 15h12

Forças do governo iraquiano recorreram a um ataque aéreo neste domingo, 5, contra o leste de Ramadi, cidade controlada por militantes da Al-Qaeda na semana passada. Segundo autoridades locais, 25 radicais foram mortos. A estratégia indica a dificuldade das tropas regulares iraquianas para retomar por terra os territórios, onde radicais sunitas desafiam o governo do premiê xiita Nuri al-Maliki.

Funcionários do governo da Província de Anbar, na fronteira com a Síria, encontraram-se com líderes tribais para pedir que ajudem a repelir os militantes ligados à Al-Qaeda que tomaram partes de Ramadi e Faluja, cidades iraquianas estratégicas sobre o Rio Eufrates. As duas foram o epicentro da insurgência radical sunita após a invasão americana do Iraque em 2003.

O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na sigla em inglês), grupo ligado à Al -Qaeda, tem aumentado sua influência na província, em uma tentativa de criar um Estado muçulmano sunita abrangendo a fronteira com a Síria. Dessa vez, os insurgentes sunitas tomaram terreno nas principais cidades da província e mantiveram posições por dias.

"Nos preocupam muito os esforços da Al-Qaeda e do ISIL porque tentam impor sua autoridade não só no Iraque, mas também na Síria", afirmou o secretário de Estado dos EUA, John Kerry. Ele ofereceu ajuda ao governo iraquiano e às tribos leais ao premiê xiita, desde que isso não inclua o envio de tropas, dois anos após a retirada. Kerry não deu detalhes sobre que tipo de assistência dará a Maliki, a quem Washington pediu repetidas vezes para dividir o poder com a minoria sunita.

O Irã também ofereceu auxílio. "Se os iraquianos nos pedirem, enviaremos equipamento militar e assessoria, mas eles não precisam de mais homens", disse o subchefe do Estado-Maior iraniano, general Mohamed Hejazi, à agência oficial Irna. O Irã é um dos aliados do ditador sírio, Bashar Assad, alvo do ISIL na Síria.

Poderio. A tomada de Faluja e Ramadi demonstra o ressurgimento da Al-Qaeda e lembra os dias mais sangrentos da insurgência, imediatamente após a invasão do Iraque em 2003. As forças afiliadas à Al-Qaeda no Iraque perderam boa parte de sua influência a partir do fim de 2006 quando milhares de sunitas, assustados com a brutalidade do grupo terrorista, decidiram enfrentá-la, dando um valioso apoio aos EUA.

"O ISIL soube aproveitar suas redes e sua capacidade no Iraque para cimentar uma forte presença na Síria e vice-versa", explica Daniel Byman, do Brookings Institution. O grupo "recuperou a capacidade de realizar um combate de guerrilhas limitado e uma campanha terrorista sustentada". "Seus objetivos vão além do Iraque, mas o objetivo transnacional de estabelecer um Estado islâmico só pode ser conseguido uma vez que sejam criados mini-Estados", como o proclamado em Faluja na sexta-feira, acrescenta Charles Lister, do Brookings Doha Center.

O porta-voz do Ministério iraquiano de Defesa, Mohamed al-Askari, também destaca a importância da conexão com a Síria. Segundo ele, fotografias aéreas apontam a chegada de armas e equipamentos avançados da Síria, o que ajudaria os islamistas a restabelecer campos de treinamento. / AFP, REUTERS e EFE

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