Iraque rejeita resolução britânica

O Iraque não venderá petróleo através do programa da ONU caso a organização internacional adote uma resolução britânica destinada a moderar as sanções comerciais contra este país, disse o vice-primeiro-ministro Tarik Aziz. O plano proposto pela Grã-Bretanha, que tem o apoio dos EUA e já fora rechaçado pelo presidente Saddam Hussein, "é uma grande mentira", afirmou Aziz, segundo a imprensa iraquiana. "Não venderemos um só barril de petróleo através do programa (de alimentos por petróleo) caso o Conselho de Segurança adote a resolução elaborada com idéias e elementos norte-americanos", disse Aziz a diplomatas credenciados em Bagdá. Suas palavras foram publicadas pelo jornal local Al-Thawra. O projeto de resolução apresentado nesta terça-feira por Londres visa suspender as restrições ao Iraque para a importação de todos os bens - com exceção de uma lista restrita de itens - bem como aos vôos para transporte de carga e de passageiros que têm o Iraque como ponto de partida ou de destino, e permitiria ao país usar parte do dinheiro da venda de petróleo para saldar parte de suas dívidas com a ONU. Ao mesmo tempo, a resolução prevê controle do organismo internacional sobre o dinheiro iraquiano proveniente das exportações de petróleo e tenta endurecer o embargo de uma década às vendas de armas ao governo de Saddam Hussein e pôr fim ao contrabando de petróleo iraquiano. O atual programa petróleo por comida permite ao Iraque vender sua produção petrolífera sob estrita vigilância das Nações Unidas e, com o dinheiro dessa venda, comprar alimentos e outros bens humanitários, além de reparar a infra-estrutura petrolífera do país e pagar reparações de guerra ao Kuwait e à ONU por custos administrativos e operacionais. Também nesta quarta-feira, a proposta britânica para as sanções contra o Iraque recebeu mais um revés, desta vez no próprio Conselho de Segurança da ONU. Duas iniciativas - uma apresentada pela Grã-Bretanha e outra pela Rússia - dividiram o conselho. Washington e Londres pediram agilidade na votação da resolução britânica. Por outro lado, Paris, Moscou e Pequim pediram mais tempo. Qualquer um dos cinco tem poder de veto em qualquer votação do conselho.

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