Iraque retoma execuções de colaboradores de Saddam

O meio irmão de Saddam Hussein e o ex-diretor da Corte Revolucionária do Iraque foram enforcados ao amanhecer desta segunda-feira em Bagdá, 16 dias após a execução do ex-ditador iraquiano. A informação foi dada à Associated Press pelo fiscal iraquiano Munqith al-Farun.Barzan Ibrahim, meio irmão de Saddam, e Awad Hamed al-Bandar, ex-diretor dos serviços de inteligência do iraque, foram declarados culpados, juntamente com o ex-ditador, pelo massacre de 148 xiitas, durante um processo de investigação de uma tentativa de assassinato de Saddam no povoado de Dujail, em 1982."Eles (o governo) nos chamou antes de amanhecer e nos pediram para que enviássemos alguém. Enviei um juiz para que fosse testemunha da execução e esta se levou a cabo", disse al-Farun. De acordo com ele, as execuções ocorreram no mesmo prédio onde funcionava a central de inteligência no governo de Saddam e onde ele foi enforcado, em 30 de dezembro do ano passado. Os dois colaboradores do ex-ditador seriam executados justamente com Saddam Hussein, mas as autoridades iraquianas decidiram executar apenas o ex-ditador, no que foi apelidado de "dia especial", pelo assessor de Segurança Nacional, Mowaffak al-Rubaie.A execução de Saddam foi levada a cabo com muitas deficiências e foi alvo de críticas de diversas autoridades internacionais. Até o presidente George W. Bush, em meio a tantas críticas, classificou de "desencorajadora" a maneira como foi feita a execução. Na semana passada, o presidente iraquiano Jalal Talabani já havia considerado a possibilidade de postergar as execuções. "Na minha opinião, deveríamos esperar", afirmou Talabani, na quarta-feira, durante uma coletiva de imprensa, com o embaixador americano no Iraque, Zalmay Jalilzad. "Deveríamos analizar a situação".Na terça-feira, o primeiro ministro Nuri al-Maliki disse que Jalilzad lhe pediu para postergar a execução de Saddam entre dez dias e duas semanas, mas as autoridades iraquianas negaram a solicitação. Isam Ghazawi, membro da equipe de defesa de Saddam durante os últimos dois anos, afirmou que se reuniu pessoalmente com Ibrahim e com al-Bandar recentemente, e que os dois afirmaram que já tinham sido comunicados sobre a execução, na mesma época em que Saddam foi enforcado.Matéria alterada às 4h55 para acréscimo de informações

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