Iraque: sem citar retirada, Bush promete transferir segurança

O presidente americano, George W. Bush, disse nesta quinta-feira que irá acelerar a transferência da responsabilidade pela segurança no Iraque às forças iraquianas, mas garantiu ao primeiro-ministro Nouri al-Maliki que as tropas dos EUA permanecerão no país árabe "o tempo que o governo iraquiano quiser". O presidente, que afirmou que a medida foi um pedido do premier, garantiu ainda que Washington não está em busca de uma "saída milagrosa" para conter a violência na região. Em entrevista coletiva com Maliki após um encontro de aproximadamente duas horas, Bush ressaltou seu apoio ao primeiro-ministro e ao seu governo de união nacional. Ele também disse que, assim como o primeiro-ministro, acredita que o Iraque não deve ser dividido em áreas autônomas. "Maliki deixou claro que dividir o país em partes, como alguns sugeriram, não é o que o povo iraquiano quer e que isso só serviria para aumentar a violência sectária na região", afirmou Bush após o encontro. "E eu concordo". Proposta para que os dois discutissem formas de acabar com a violência sectária que todos os meses faz milhares de vítimas no país, a reunião acontece após semanas de crescentes tensões entre os dois governos. O auge dos desentendimentos veio na noite de quarta-feira, com o cancelamento da reunião inicial do encontro depois do vazamento de um relatório da Casa Branca que levantou dúvidas sobre a capacidade de Maliki em conter a violência. Após a conversa, Bush elogiou Maliki. "Eu aprecio a coragem que você mostrou ter durante esses tempos difíceis, como líder de seu país". Em seguida, o presidente dos EUA disse que o primeiro-ministro é "o ´cara´ certo para o Iraque". Transferência de responsabilidade Apesar da declaração sobre a transferência da responsabilidade pela segurança no país, os dois líderes não estabeleceram um cronograma para o treinamento das tropas iraquianas. Segundo um funcionário do alto escalão da administração citado pelo New York Times, o atual estágio de treinamento das tropas iraquianas está no "marco zero". "Não se trata simplesmente de um processo de ´passar o bastão´", disse o funcionário, que acompanhou a reunião desta quinta-feira. "Não se trata dos Estados Unidos e do Iraque brigando pelo controle do volante. Trata-se dos Estados Unidos querendo que o Iraque assuma firmemente o volante, e a questão é, como podemos fazer isso o mais rápido possível." Durante a coletiva, Maliki abriu espaço também para que países como o Irã e a Síria colaborem com o esforço iraquiano pela paz. "Nós estamos prontos para contribuir com qualquer povo que acredite na necessidade de colaborar com nosso governo de união nacional", disse o primeiro-ministro. "Especialmente quando se trata de nossos vizinhos". Além do cancelamento do encontro de quarta-feira, a reunião entre Bush e Maliki aconteceu em meio a um protesto de legisladores xiitas, que abandonaram o governo iraquiano em protesto contra a presença de Bush. Esse é o terceiro encontro entre os dois líderes desde que Maliki assumiu o poder, há cerca de seis meses. Dia violento Um soldado americano foi morto na quarta-feira em Bagdá, segundo um comunicado do Exército dos Estados Unidos, divulgado nesta quinta-feira. Desde a invasão do Iraque, em março de 2003, 2.881 militares americanos morreram no país, de acordo com o Pentágono. Os corpos de 86 pessoas assassinadas foram encontrados no Iraque nas últimas 24 horas. Vinte e oito foram encontrados em uma vala comum, perto de Baquba, 60 km ao norte de Bagdá, onde os níveis de violência são altos. Texto e título alterados às 16h46 para acrescimo de informações

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