Iraque: sobe a 55 número de mortos em onda de ataques

Insurgentes lançaram o que parece ter sido uma série de ataques coordenados no Iraque na manhã desta segunda-feira, matando pelo menos 55 pessoas, marcando o dia mais violento no país em quase um mês.

AE, Agência Estado

15 de abril de 2013 | 15h26

Os ataques, muitos dos quais realizados com carros-bomba, tiveram início menos de uma semana antes de a maioria dos iraquianos ir às urnas para as primeiras eleições desde a retirada das tropas norte-americanas em 2011, o que representa um teste para a capacidade das forças de segurança de evitar um derramamento de sangue.

Nenhum grupo havia assumido a responsabilidade pelas ações, mas ataques coordenados são um tática usada pelo braço da Al-Qaeda no Iraque.

Autoridades iraquianas acreditam que o grupo insurgente esteja se fortalecendo e aumentando sua coordenação com aliados que lutam para derrubar o presidente sírio Bashar Assad, do outro lado da fronteira. De acordo com essas fontes, o aumento da falta de controle na fronteira entre a Síria e o Iraque e a cooperação com o grupo sírio Frente Nusra tem melhorado o fornecimento de armas e de combatentes estrangeiros para os militantes.

A intensificação da violência, parte dela relacionada às eleições provinciais que acontecem no próximo sábado, preocupa autoridades iraquianas e diplomatas sediados em Bagdá. Pelo menos 14 candidatos foram mortos nas últimas semanas; um deles foi assassinado numa aparente emboscada no domingo.

"Obviamente estamos preocupados com a violência no país, que tem aumentado nas últimas semanas", disse à Associated Press o enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Iraque, Martin Kobler. Ele condenou o derramamento de sangue e pediu a autoridades iraquianas que mantenham as eleições. "Elas (as eleições) devem ser livres e justas e cada eleitor deve ir às urnas sem intimidação ou medo", afirmou ele.

O major-general iraquiano, Hassan al-Baydhani, o número 2 no comando do Exército do país, disse que as forças de segurança desarmaram três carros-bomba em Bagdá antes que pudessem ser detonados. Ele descreveu os episódios de violência como uma tentativa de prejudicar as eleições e intimidar os eleitores. "Os terroristas querem ficar nas manchetes na medida em que o dia das eleições se aproxima", afirmou ele.

Quase todos os ataques informados pela polícia foram realizados com bombas. As ações tiveram uma abrangência muito ampla, já que aconteceram não apenas em Bagdá, mas também na cidade sunita de Faluja, no Leste, em Kirkuk, cidade rica em petróleo e etnicamente diversificada, além de localidades predominantemente xiitas no sul.

Outros ataques foram registrados ao norte da capital, dentre eles Baquba, antigo reduto da Al-Qaeda, e na cidade natal de Saddam Hussein, Tikrit.

O ataque mais violento aconteceu em Bagdá, onde 25 pessoas morreram. Em outra ação dos militantes, um carro-bomba estacionado explodiu num ponto de ônibus no subúrbio de Kamaliya, nas proximidades de Bagdá, matando quatro e ferindo 13 pessoas.

Outros dois carros-bomba explodiriam num raro ataque a um estacionamento perto da entrada do Aeroporto Internacional de Bagdá, local onde a segurança é reforçada. Três pessoas morreram, dentre elas o guarda-costas de um legislador xiita, cujo comboio passava pelo local. O político não sofreu ferimentos.

No final da tarde, um carro-bomba estacionado perto de concessionárias de automóveis explodiu no bairro de

Habibiya, em Bagdá, matando dez pessoas. Outras explosões foram registradas nos bairros de Kamila, Karrada, Shurta, Baladiyat e Umm al-Maalif, também na capital.

Em Kirkuk, três carros-bomba explodiram simultaneamente, um num bairro árabe, outro numa localidade curda e o último em um distrito turcomeno, matando quatro pessoas. Outros três carros-bomba explodiram nas proximidades da cidade, matando mais cinco pessoas.

A violência teve início por volta das 6h30 (horário local, 0h30 em Brasília), no antigo reduto insurgente de Faluja, quando um suicida jogou um carro cheio de explosivos contra um posto de verificação da polícia, matando dois policiais e ferindo seis.

Outras 15 pessoas forma mortas e dezenas ficaram feridas em ataques em Baquba, Buhriz, Khalis, Mossul, Mussayab, Nassíria, Rutba, Tarmiyah e Tikrit. Embora a violência no Iraque tenha caído em relação ao ápice registrado em 2006 e 2007, ataques com bomba e de outros tipos continuam comuns. Os ataques foram registrados um dia depois de uma série de ações ter deixado dez mortos.

Os iraquianos devem ir às urnas no próximo sábado para as primeiras eleições desde que as tropas norte-americanas deixaram o país, em dezembro de 2011. O pleito, que vai escolher autoridades locais, será um teste de força para o bloco político do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, assim como para a capacidade das forças de segurança de manter o país seguro. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
Iraqueviolência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.