Iraque sofre o maior bombardeio desta guerra

Dois dias depois do início da Operação Liberdade Iraquiana, as forças da coalizão anglo-americana que lutam para derrubar o ditador iraquiano, Saddam Hussein, lançaram hoje sobre várias cidades do Iraque o mais pesado bombardeio da atual campanha. Bagdá, a capital iraquiana, foi uma das cidades mais atingidas pelas centenas de bombas e mísseis Tomahawk.O Pentágono definiu o ataque como uma ação destinada a "chocar a pasmar" os líderes iraquianos e forçá-los à rendição.A operação recebeu também o nome de código "Dia-A", pois, segundo fontes do Departamento de Defesa, ela estava planejada para ser a primeira da guerra contra o Iraque. As ações militares só começaram na madrugada da quinta-feira no Iraque (fim da noite de quarta-feira no Brasil) porque a inteligência americana convenceu o presidente dos EUA, George W. Bush, a ordenar um "ataque de decapitação", que poderia, naquele momento, matar Saddam e seus assessores mais próximos.O ataque de hoje, ininterrupto por mais de meia-hora, iluminou a noite de Bagdá e deixou em chamas vários edifícios do governo. Centenas de bombas foram disparadas de aviões americanos e britânicos numa área ao redor do principal palácio de Saddam, às margens do Rio Tigre, no centro da cidade.Também foram e deixados em ruínas as sedes do Ministério do Petróleo, do serviço de inteligência e do Partido Baath, de Saddam.O bombardeio em grande escala, que pretendia lançar 3.000 projéteis de precisão em dois dias, tenta eliminar a capacidade de coordenação e resposta do regime iraquiano e incitar suas tropas à rendição.O Pentágono definiu a campanha como de "choque e pavor", dentro de seu objetivo de acabar com os sistemas de comando e controle do regime de Bagdá e amedrontrar os dirigentes e soldados iraquianos.O Pentágono confia que um ataque curto e brutal vai neutralizar os centros de poder e as comunicações do regime iraquiano e paralisar sua máquina de guerra.Os EUA também poderiam empregar a chamada "bomba E", que lança descargas eletromagnéticas superpotentes e paralisa os sistemas elétricos e de comunicações."Centenas de alvos serão atacados nas próximas horas", afirmou hoje o general Richard Myers, quando explicava que tinham lançado ataques sobre vários pontos de Bagdá, O bombardeio é realizado com mísseis de cruzeiro disparados dos navios de guerra e com centenas de aviões de todo tipo, inclusive os superbombardeiros B-2 e B-52, que lançam bombas dirigidas e mísseis.Inicialmente estava previsto que o ataque aéreo em grande escala seria lançado numa fase anterior à ofensiva terrestre.No entanto, o governo americano mudou seu plano quase no final e começou com "ataques precisos" contra a liderança do regime iraquiano, incluindo Saddam Hussein e seus filhos.Esta estratégia aérea é um dos elementos mais inovadores dentro dos planos do Pentágono em relação a Guerra do Golfo de 1991, quando a campanha de bombardeios aéreos durou 39 dias, e pouco mais de 8 por cento das bombas lançadas em toda a campanha foram dirigidas, ou "inteligentes".Está prevista a rendição do maior número possível de unidades iraquianas. Outra possibilidade são compromissos para que as unidades se mantenham à margem dos combates, o que evita às tropas atacantes ter que se ocupar dos prisioneiros e atrasar seu avanço.As unidades de Washington e Londres já se apoderaram de um número desconhecido de poços petrolíferos do sul, a área iraquiana mais rica em petróleo.Além disso, a tomada de Um Qasar, de onde se controla o terminal petroleiro marítimo iraquiano, vai impedir Bagdá de derramar petróleo no Golfo Pérsico, como fez em 1991, com os terminais do Kuwait.Unidades de elite da Marinha dos EUA (Seal) e outras forças especiais estão com o controle do terminal, explicou Myers.Os planos do Pentágono incluem mais elementos das Forças Especiais e maior ênfase na mobilidade.A estratégia é em boa parte produto da intervenção pessoal do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, que acha que uma operação relâmpago contra a elite do governo iraquiano vai deixar o país decapitado e sem capacidade de resposta, ajudado pelo descontentamento de amplas partes do regime.Veja o especial :

Agencia Estado,

21 de março de 2003 | 20h38

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