Iraque suspende envio de cargas a curdos após boicote no Parlamento

Ministros curdos disseram que não vão comparecer em reuniões do gabinete interino iraquiano como protesto por declarações de Maliki

O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2014 | 11h39

BAGDÁ - O Iraque suspendeu a entrega de cargas aéreas destinadas a duas cidades curdas, em um crescente embate entre o governo central governado por xiitas e líderes curdos, após ministros curdos dizerem estar boicotando reuniões do gabinete interino.

A ausência das reuniões foi um protesto às afirmações, consideradas provocativas, do primeiro-ministro Nuri al-Maliki de que a capital da província curda, Arbil, era um porto-seguro para o grupo Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês) e outros insurgentes, disseram ministros em um comunicado nesta quinta-feira, 10.

O chefe da autoridade de aviação civil do Iraque, Nasser Bandar, disse à Reuters que os voos de cargas para Arbil e para a segunda maior cidade curda do Iraque, Sulaimaniya, haviam sido suspensos até segunda ordem. Os voos de passageiros não foram afetados, segundo ele.

Os curdos continuarão com seus ministérios e "não sairão do governo", disse uma autoridade curda na condição de anonimato, à Reuters.

Os ministros não mencionaram um prazo para seu boicote ou os termos de seu retorno às meses de reunião, mas pediram um governo nacional inclusivo. O gabinete do Iraque realiza reuniões agendadas todas as terças-feiras e reuniões extraordinárias podem ser convocadas em outros momentos.

Com a insurgência sunita assolando províncias sunitas do país, os Estados Unidos e outros países pediram a políticos em Bagdá que estabeleçam um governo mais inclusivo após a eleição parlamentar ocorrida em abril. Mas a nova legislatura fracassou em chegar a um acordo sobre a liderança para o país, deixando Maliki no poder como interino, enquanto líderes xiitas e curdos trocam acusações sobre a insurgência.

As relações se deterioraram na quarta-feira 9, quando Maliki acusou os curdos de permitir que Arbil seja utilizada como centro para o Isil e outros grupos militantes,entre eles antigos membros do agora proibido Partido Baath, de Saddam Hussein. "Nunca ficaremos em silêncio sobre Arbil se tornar uma base de operações do Estado Islâmico e baathistas, e da Al-Qaeda e de terroristas."

Sunitas e curdos exigem que Maliki deixe o cargo, mas ele não mostra sinais de que concordará. Os curdos estão agora mais próximos do que nunca de abandonar o Iraque. Massoud Barzani, líder da região autônoma curda, pediu na semana passada que seu Parlamento preparasse um referendo sobre a independência.

As relações de Maliki com Barzani se deterioram rapidamente desde o mês passado, quando o Isil e grupos armados sunitas aliados tomaram territórios no norte e no oeste do Iraque. /REUTERS

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