Iraque tem a primeira eleição desde a retirada das tropas americanas

Iraquianos votam sob forte esquema de segurança, mas explosão perto de colégios eleitorais mata 10

O Estado de S. Paulo,

30 de abril de 2014 | 11h44

Eleitores passam por postos de controle antes da votação - Foto: Efe

BAGDÁ - Os iraquianos começaram a votar nesta quarta-feira, 30, para eleger um novo parlamento, na primeira eleição nacional desde a retirada das forças militares americanas em 2011. Para entrar nos colégios eleitorais, as pessoas precisam passar por três postos de controle da polícia, com homens das Forças Armadas, onde são identificados e registrados.

Mesmo com as medidas de segurança, 10 pessoas morreram na explosão de vários artefatos perto de colégios eleitorais em diferentes pontos do país. Há franco-atiradores nos prédios altos e agentes nos terraços de alguns colégios, enquanto helicópteros militares sobrevoam continuamente Bagdá.

A economia do país está em crise e o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, que busca o terceiro mandato num momento de intensificação da violência, é acusado de ter tentado acumular poderes e de agravar divisões sectárias.

As seções eleitorais abriram às 7h (horário local) e o trânsito de veículos foi proibido em Bagdá. As ruas estavam cheias de barreiras militares e os eleitores iam a pé até seus locais de votação, em um ambiente de tranquilidade - ao contrário do que ocorreu em 2010, quando a eleição foi marcada por vários atentados a bomba na capital.

Maliki votou logo cedo num hotel próximo à Zona Verde, área fortificada onde funcionam os órgãos governamentais. Ele pediu às pessoas que seguissem seu exemplo, apesar das ameaças. "Conclamo o povo iraquiano a se dirigir em grande número às urnas para passar uma mensagem de dissuasão e dar um tapa na cara do terrorismo."

Até a metade do dia, a eleição transcorria com poucos problemas também no centro e sul do Iraque, mas a abstenção era elevada nas regiões sunitas, onde a população costuma ter medo das forças de segurança e dos militantes inspirados pela Al-Qaeda.

Essas disparidades são um sinal dos profundos atritos entre a maioria xiita e a minoria sunita. Analistas políticos dizem que nenhum partido deve obter a maioria entre as 328 vagas do Parlamento. Maliki se mostrou confiante na vitória da sua aliança Estado de Direito, mas mesmo nessa hipótese pode ter dificuldades para formar um novo gabinete.

"Definitivamente nossas expectativas são elevadas", afirmou o premiê. "Nossa vitória está confirmada, mas ainda estamos falando sobre o tamanho dessa vitória."

A necessidade de mudança foi manifestada por vários eleitores. Uns defendem a chegada da oposição ao poder e outros optam por um maior apoio parlamentar para a atual coalizão governante, para que ela não dependa do apoio de mais grupos. "Esperamos o melhor dessas eleições. E mesmo que o governo atual continue, queremos que mude seu método", disse à agência Efe o comerciante Arkan Khalifa, de 41 anos, após depositar seu voto na urna.

O principal rival da aliança Estado de Direito é a coalizão laica Al-Iraquiya, que neste pleito não se apresenta unida à Aliança Nacional Iraquiana (xiita)./ EFE e REUTERS

 
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