Iraque tem dia calmo após morte de al-Zarqawi

No dia seguinte à divulgação da notícia da morte de Abu Musab al-Zarqawi, líder da Al-Qaeda no Iraque, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, adotou drásticas medidas de segurança temendo represálias do terror. Como conseqüência imediata, as ações terroristas sofreram uma redução significativa, pelo menos nesta sexta-feira.Al-Maliki impôs toque de recolher nas províncias de Diyala (onde se refugiava Zarqawi) e Baquba (onde ele foi morto na quinta-feira). Além disso, proibiu o tráfego de veículos em Baquba e em Bagdá. O premier também pôs todas as forças de segurança do país em estado de alerta máximo. "Essas providências foram adotadas para evitar novos ataques terroristas contra as dezenas de milhares de fiéis que se dirigem às mesquitas para as orações das sextas-feiras", explicou Maliki. Ele se referia à onda de violência desencadeada na quinta-feira logo após o anúncio da morte do líder da Al-Qaeda numa operação conjunta do Exército americano e forças policiais iraquianas. Mais de 40 civis morreram, na maioria vítimas de atentados com carros-bomba, e cerca de 150 ficaram feridos. O toque de recolher em Diyala, um reduto de insurgentes sunitas adeptos do antigo regime de Saddam Hussein, vai perdurar até segunda ordem, ressaltou o primeiro-ministro iraquiano. As principais ruas e avenidas de Bagdá ficaram praticamente vazias em razão das restrições ao trânsito de veículos. Patrulhas do Exército e da polícia iraquiana, fortemente armadas, eram vistas em áreas da capital consideradas estratégicas. Os soldados vigiavam a movimentação de pedestres, atentos à eventualidade de infiltração de terroristas suicidas entre eles. Os piores ataques do terror contra civis tem ocorrido exatamente nos dias santos e de oração. Incidentes violentos Apesar da segurança reforçada, ainda foram registrados alguns incidentes violentos no país. Em Mossul, a explosão de uma bomba em uma estrada atingiu uma patrulha policial, matando uma pessoa e deixando duas feridas, e em Tikrit três funcionários de uma refinaria foram assassinados. Em Bagdá, homens armados seqüestraram o diretor da companhia estatal para projetos petrolíferos (Scop), Muthanna al-Badri, enquanto ele se dirigia para o trabalho. O clérigo sunita Riyadh Shelal al-Khafaji foi morto a tiros por homens com uniformes comumente usados por milícias xiitas em Iskandariyah, a cerca de 50 quilômetros ao sul de Bagdá. Um tiroteio a oeste de Baqouba matou cinco civis e deixou três feridos, além de várias casas destruídas. A circunstâncias das mortes ainda não foram esclarecidas. Cerca de 50 quilômetros ao sudeste de Bagdá, na cidade de Kut, o torso de um homem que usava um uniforme militar foi encontrado boiando em um rio. Sete outros corpos com marcas de bala também foram encontrados na área. Operações noturnas O Exército americano aproveitou o "vácuo" de poder deixado por Zarqawi e realizou cerca de 40 operações noturnas, em um esforço para impedir que a rede terrorista se reagrupe. O porta-voz do Exército americano, Major general William Caldwell, informou que 39 das ações foram conduzidas durante a madrugada, incluindo algumas relacionadas diretamente à informações obtidas durante o ataque contra al-Zarqawi.Ele disse que pelo menos 24 pessoas foram presas e uma morreu durante as invasões, e mostrou fotos de um armazém de armas clandestino. Segundo ele o material foi encontrado embaixo do piso de uma casa. Caldwell revelou ainda nesta sexta-feira que Zarqawi sobreviveu ao bombardeio americano contra a casa em que estava escondido, e tentou sair da maca enquanto era carregado pelo exército iraquiano.O major general disse que só soube da sobrevivência do terrorista ao bombardeio quando recebeu o relatório completo da ação nesta sexta-feira.Na quinta-feira, autoridades americanas afirmaram que o terrorista jordaniano já estava morto quando chegaram ao local do bombardeio."Na realidade chegamos a encontra-lo vivo", disse Caldwell. "Ele murmurou alguma coisa indistinguível e morreu logo em seguida.

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