Iraque tem dia mais sangrento deste ano

Ao menos 100 pessoas morreram e 300 ficaram feridas; governo acusa Al-Qaeda e Partido Baath

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2010 | 00h00

O Iraque viveu ontem seu dia mais violento deste ano, com explosões em uma fábrica, atentados em mercados e assaltos contra postos de controle de forças de segurança. Ao todo, mais de 100 pessoas morreram e 300 ficaram feridas. O governo iraquiano atribuiu a ofensiva a grupos sunitas afiliados à Al-Qaeda e ao antigo partido de Saddam Hussein, o Baath.

A prova de força dos militantes busca aprofundar a incerteza política que ronda o Iraque desde a eleição de março. O resultado das urnas não foi capaz de definir um claro vencedor e a negociação para formar uma nova coalizão está travada - o atual premiê, Nuri al-Maliki, disputa o poder com o primeiro colocado na votação, Iyad Allawi.

A votação, porém, confirmou o bloco xiita como principal força da política iraquiana, relegando novamente a minoria sunita - que governava o país nos tempos de Saddam - a um papel secundário. Legendas xiitas prometeram se unir para evitar que Allawi, líder secular, torne-se o próximo premiê.

Os atentados de ontem ocorreram em várias cidades iraquianas. O primeiro foi em Hilla, ao sul de Bagdá, onde dois carros-bomba explodiram diante de uma fábrica têxtil. O ataque ocorreu no momento em que operários trocavam de turno e pelo menos 46 pessoas teriam morrido na hora. Uma terceira bomba foi detonada enquanto equipes de socorro tentavam resgatar vítimas, ampliando a tragédia.

Em seguida, foi a vez de Basra, cidade rica em petróleo no sul do Iraque, viver momentos de pânico. Segundo autoridades locais, três automóveis carregados de explosivos deixaram 21 mortos. Militantes direcionaram os ataques contra um mercado, uma refinaria de petróleo e uma área residencial.

Em Bagdá, grupos de militantes que portavam armas com silenciadores atacaram pelo menos seis postos policiais. Bombas foram colocadas em outras três bases avançadas.

Na região xiita de Kut, perto de Bagdá, uma explosão em um restaurante popular matou 12.

Histéricos. "Apesar dos duros golpes contra a Al-Qaeda, ainda há células em funcionamento, tentando provar sua existência e influência", afirmou o porta-voz das forças de segurança de Bagdá, general Qassim al-Moussawi. Ele qualificou os ataques de "histéricos".

Desde 2006 e 2007, quando o Iraque foi dominado pela guerra sectária, a violência diminuiu significativamente. A indefinição das eleições de março, contudo, voltou a inflamar tensões entre xiitas e sunitas. / REUTERS e THE WASHINGTON POST

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