Iraque tem míssil que desrespeita ONU, dizem técnicos

O Iraque desenvolveu mísseis de alcance superior a 150 quilômetros, o que constitui uma infração à uma resolução da ONU que limita a essa distância o seu alcance máximo. A essa constatação chegou um grupo de técnicos que trabalha para as Nações Unidas em estreita cooperação com a missão dos inspetores chefiada pelo sueco Hans Blix. Os resultados desse trabalho deverão ser incorporados ao relatório que será apresentado amanhã ao Conselho de Segurança sobre o estado atual do desarmamento do Iraque. Nesses últimos anos, o Iraque teria desenvolvido um programa de mísseis em desacordo com as exigências impostas pela resolução 687 do Conselho de Segurança, segundo revela com exclusividade o correspondente da RFI, Radio France Internacional, junto à sede das Nações Unidas, através do qual essa informação sigilosa acabou vazando. Tais mísseis podem atingir o Kuwait, onde se concentram atualmente tropas norte-americanas, além de regiões de países vizinhos como Síria, Jordânia, Arábia Saudita, Turquia e Irã. Israel, por enquanto, estaria fora do alcance desses mísseis, mas seu desenvolvimento permitiria viabilizar essa hipótese. Segundo o relatório, o regime de Saddam Hussein vinha desenvolvendo nesses últimos anos estudos para a construção de mísseis, Al Samoud, de alcance a 180 e 190 quilômetros. Não se descarta a possibilidade do regime iraquiano ter se interessado pelo desenvolvimento de programas ainda mais ambiciosos em matéria de alcance. Esse levantamento foi feito a pedido do próprio Hans Blix, disposto a integrar esse resultado na sua comunicação de amanhã.O método de trabalho dos experts difere do realizado atualmente pelos inspetores. Eles analisaram tiros de mísseis no Iraque para poder avaliar seu alcance, além de terem examinado minuciosamente os documentos fornecidos pelo país sobre seus programas de armamentos. Esses mísseis Al Samoud podem transportar uma carga de até 300 quilos. Eles usam combustível liquido e são semelhantes a pequenos mísseis do tipo "Scud"", sendo que sua modernização pode aumentar e forma considerável seu alcance. Apesar disso, nada indica que tais mísseis possam transportar cargas químicas ou bacteriológicas.

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