Iraque teme epidemia de cólera

Dois hospitais no sul do Iraque registraram 17 casos confirmados de cólera, e a Organização Mundial da Saúde expressou hoje temores de que possa ocorrer uma epidemia da doença."Um surto de cólera, afetando provavelmente várias centenasde pessoas, está ocorrendo", advertiu Fadela Chaib, da agência da ONU, que enviou esta semana uma equipe para a cidade sulista de Basra.Os primeiros casos foram registrados entre crianças menores de 4 anos da parte norte da cidade. Dois hospitais locais, Hospital Escola Al-Tahir e Hospital Maternal e Infantil de Basra, confirmaram até agora 17 casos. Mais amostras foram enviadas a um laboratório no Kuwait para confirmação, e os resultados finais devem ser anunciados nesta quinta-feira. Até agora não foram registradas mortes.Autoridades da saúde temem que o problema já tenha alcançado proporções epidêmicas. "Se temos 17 casos confirmados, você pode esperar 10 vezes mais na população em geral", disse o médico Denis Coulombier, um epidemologista da OMS.A cólera é uma doença disseminada pela água que pode sertratada se detectada. Ela pode ser fatal se as vítimas foremcrianças malnutridas.Especialistas de saúde têm advertido sobre uma possível epidemia de cólera, devido à escassez de água potável e àsprecárias condições sanitárias na região sul iraquiana.Hospitais locais têm registrado um crescente número de pacientes com diarréia e outros problemas gastrointestinais.Durante a guerra, o sistema de tratamento de água de Basra foi desativado depois que ataques aéreos da coalizão anglo-americana danificaram a rede elétrica.Os 2 milhões de habitantes da cidade ficaram semanas sem água corrente. Muitos apanhavam água para beber no rio Shatt al-Arab.Para aliviar a falta d´água, forças britânicas e agênciashumanitárias têm enviado diariamente caminhões-tanque com água para a cidade e vilas próximas. Engenheiros britânicos conseguiram restaurar cerca de 80% do sistema hidráulico, mas a falta de segurança continua sendo o maior problema na cidade.Após a tomada da cidade pelos britânicos, saques generalizados e a anarquia tomaram conta de Basra. A situação melhorou, mas continuam a ser registrados saques em escolas e outras instituições públicas, como reservatórios de água e estações elétricas, segundo a ONU.Apesar de as forças britânicas estarem realizando patrulhasregulares na cidade, elas não têm capacidade de oferecer guardas 24 horas por dia."Não está sendo feito o suficiente", reclamou o porta-voz humanitário da ONU David Wimhurst. "A menos que seja colocada sob controle, essa situação vai continuar. E o resultado final pode ser catastrófico".A cólera é um dos mais eficientes matadores da natureza,algumas vezes retirando a vida da pessoa poucas horas depois de se manifestar. Uma epidemia da doença de três semanas de duração e enfermidades a ela relacionadas matou 50.000 refugiados ruandeses em 1994 no oeste do Zaire, hoje República Democrática do Congo.Veja o especial :

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