Iraque teme que EUA alterem sua declaração de armas

O Iraque denunciou que os EUA empreenderam uma "extorsão sem precedentes" ao se apossarem do único exemplar da declaração de armas encaminhada por Bagdá ao Conselho de Segurança (CS) da ONU, e expressou seu temor de que Washington possa alterar o relatório para justificar um ataque militar. Os EUA receberam na segunda-feira o único exemplar do documento em mãos da ONU, para imprimi-lo em Washington e distribuí-lo para os outros quatro membros permanentes do CS - China, Rússia, Grã-Bretanha e França. "Isto é uma extorsão sem precedentes na história das Nações Unidas, na qual (os EUA) forçaram o presidente do CS a lhes dar o exemplar original da declaração iraquiana... em contradição com o acordo de 6 de dezembro por parte de todos os membros do CS", indicou a Chancelaria iraquiana em um comunicado. Também nesta terça-feira, o presidente iraquiano, Saddam Hussein, liderou um encontro a que compareceram vários altos funcionários, incluindo dois de seus filhos, Udai e Kusai, assim como o ministro da Defesa, tenente-general Hashim Ahmed; o ministro da Industrialização Militar, Abdel Tawab Mulá Huweish, e o comandante da Força Aérea, major-general Muzahim Saab al-Hasan, informou a INA, a agência oficial do Iraque. Durante o encontro, Hussein disse que "a guerra não é agradável, mas seus significados são compreendidos pelos que têm uma causa. Implica sacrifícios, mas o mais importante é o ser humano". "Suas frentes permanecerão no alto, com honra, se Deus quiser, e seu inimigo cairá", acrescentou o líder iraquiano. O comunicado da Chancelaria informou que "acima de tudo, este comportamento americano busca manipular os documentos da ONU, com o objetivo de encontrar uma justificativa para as agressões contra o Iraque". Grã-Bretanha, França, Rússia e China concordaram na segunda-feira em permitir que os EUA entreguem o documento de 12.000 páginas, porque a Colômbia, que ocupa a presidência do Conselho de Segurança, não pôde copiá-lo com rapidez suficiente e em um lugar seguro. O governo americano iniciou imediatamente a revisão do volumoso documento, mas advertiu que a análise levará tempo. Um porta-voz da Casa Branca indicou que "existe ceticismo e temor" a respeito do que o regime iraquiano anda fazendo.

Agencia Estado,

10 Dezembro 2002 | 15h50

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