Iraque tenta reverter renúncia de juiz do caso Saddam

O governo iraquiano tenta convencer o juiz Rizgar Mohammed Amin a reconsiderar sua decisão de deixar a Presidência do Tribunal Especial que julga o ex-presidente Saddam Hussein. Fontes ligadas ao tribunal confirmam que o magistrado curdo apresentou sua renúncia nesta semana, cansado das críticas públicas recebidas por sua suposta condescendência com o ditador. "O juiz Rizgar Mohammed Amin apresentou sua renúncia ao Conselho Supremo de Justiça Iraquiana esta semana e pediu para ser liberado de seu cargo", assegurou a fonte, que pediu para não ser identificada.A fonte acrescentou que o governo iraquiano enviou uma delegação para tentar convencer Amin a reconsiderar sua postura, já que teme que a renúncia repercuta de forma negativa na legitimidade do tribunal. Responsáveis dos ministérios de Justiça e Direitos Humanos viajaram para a cidade de Suleimaniya, no Curdistão iraquiano, para conversar com Amin em sua residência, acrescentou.A decisão de Amin não parece ter surpreendido ninguém.O advogado Nasir Al Gadragy, líder do Partido Nacional Democrático iraquiano, explicou que "o julgamento de Saddam Hussein e de seus colaboradores não é um processo tradicional. As pressões que o rodeiam são grandes". "Existe um consenso nas ruas do Iraque sobre a fraqueza do processo. A população quer que o tribunal mostre um pouco de força e de firmeza. Todas estas são razões que levam qualquer juiz a pensar em sua renúncia", acrescentou, antes de qualificar de injustificada a campanha contra Amin.Saddam Hussein e sete de seus colaboradores estão sendo julgados desde 19 de outubro por sua suposta participação no massacre de 148 iraquianos no norte do Iraque em 1982 em represália por uma tentativa de assassinato contra o então presidente iraquiano. O julgamento será retomado no próximo dia 23.

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