Iraque tira a atenção dos americanos, diz Obama

Democrata afirma que prioridade deve ser a guerra no Afeganistão

NYT e Reuters, Washington, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2008 | 00h00

Em discurso realizado ontem, em Washington, o senador Barack Obama, candidato democrata à Casa Branca, disse que vai encerrar a guerra no Iraque "de maneira responsável" e reorientar os esforços americanos para questões mais importantes, como a não-proliferação nuclear, a dependência energética e as mudanças climáticas. Segundo ele, o conflito iraquiano é um "desvio de atenção" em relação a outras prioridades, como o confronto no Afeganistão."Imaginem o que poderíamos ter feito naqueles dias, meses e anos após o 11 de Setembro. Poderíamos ter usado o poder dos EUA para destruir Osama bin Laden, o Taleban e todos os terroristas responsáveis pelo ataque", disse Obama. "Em vez disso, perdemos milhares de vidas, gastamos US$ 1 trilhão, alienamos aliados e negligenciamos ameaças reais, tudo em nome de uma guerra num país que não tinha nada a ver com o 11 de Setembro."O democrata assegurou que vai retirar os soldados do Iraque, mas que fará isso de maneira gradual. "Darei aos nossos militares uma nova missão em meu primeiro dia de mandato: pôr um fim a essa guerra", afirmou, ressaltando que o envolvimento prolongado dos EUA no Iraque prejudica a segurança do país e o prestígio do governo americano no cenário internacional. "Deixem-me ser claro: precisamos ser tão cuidadosos ao sair do Iraque como fomos descuidados ao entrar."RESPOSTAEm discurso realizado logo após o de Obama, o candidato republicano, John McCain, atacou o adversário e sugeriu um aumento do número de soldados no Afeganistão - assim como foi feito no Iraque -, afirmando que a decisão de enviar reforços ao front iraquiano foi a mais correta."O sucesso do reforço das tropas no Iraque nos mostra como vencer no Afeganistão", disse McCain durante comício no Estado do Novo México. "O senador Obama diz que não podemos ganhar no Afeganistão sem perder no Iraque. Na verdade, é exatamente o contrário. Com a estratégia certa e o número apropriado de soldados, venceremos tanto no Iraque como no Afeganistão."Obama reconheceu que o reforço militar diminuiu a violência no Iraque, mas argumenta que ele levou o Exército americano ao limite, está custando vidas e sangrando os cofres públicos, enquanto a situação no Afeganistão tem se deteriorado. McCain declarou ontem que concorda que as coisas pioraram no Afeganistão. A solução para o republicano, no entanto, seria o envio de mais 15 mil homens para o país.PESQUISASUma pesquisa conjunta do jornal Washington Post e da rede de TV ABC News, divulgada ontem, mostrou que a metade dos eleitores americanos apóiam a retirada rápida das tropas do Iraque, enquanto 49% acreditam que a situação no campo de batalha é que deve definir o retorno dos soldados.Em outra sondagem divulgada ontem pela Universidade de Quinnipiac, Obama aparece 9 pontos porcentuais à frente de McCain. O democrata teria hoje 51% das intenções de voto, enquanto o republicano ficaria com 41%.FRASESBarack ObamaCandidato democrata"Darei aos nossos militares uma missão em meu primeiro dia de mandato: pôr um fim à guerra"John McCainCandidato republicano"Obama diz que não podemos ganhar no Afeganistão sem perder no Iraque, mas com a estratégia certa, venceremos tanto no Iraque como no Afeganistão

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