Iraque vai presidir conferência da ONU sobre desarmamento

Apesar de estar sendo acusado de possuir armas biológicas, químicas e até nucleares e de estar sendo inspecionado pelas Nações Unidas, o Iraque irá presidir a Conferência da ONU sobre Desarmamento a partir de maio deste ano. O paradoxo ocorre porque a presidência da reunião é rotativa e respeita a ordem alfabética dos países que fazem parte da ONU. Atualmente, presidência da Conferência é da Índia que, no próximo mês, passa a chefia das negociações para a Indonésia e, em abril, para o Irã. Maio, portanto, será a vez de Bagdá assumir as negociações. A Conferência é o único fórum multilateral existente para debater o desarmamento no mundo, mas em 2002, diante das diferentes posições adotadas pelos países sobre o desenvolvimento de armas que possam ser utilizadas no espaço, nenhuma ação concreta foi proposta em mais de 50 reuniões. A tentativa de se encontrar um consenso sobre os temas de desarmamento ainda está baseada na chamada Proposta Amorim, em referência à sugestão feita pelo atual chanceler brasileiro Celso Amorim, e que no ano 2000 era o representante do País na Conferência que ocorre em Genebra. Segundo a Proposta Amorim, os países deveriam tentar superar suas diferenças para concentrar seus esforços em medidas que possam evitar uma guerra nuclear. Para este ano, além da prevenção de uma guerra nuclear, a agenda da Conferência inclui um debate sobre como regulamentar os novos tipos de armas, como as bombas radiológicas. Outro tema que deverá dominar a agenda será a tentativa de conseguir que os países adotem sistemas transparentes de informação sobre seus arsenais. Cabe à presidência da Conferência fazer propostas sobre os diversos temas e ainda consultar os demais países sobre possíveis acordos. Para organizações não-governamentais, ter Bagdá na presidência da reunião significará que poucos países darão credibilidade às suas propostas e iniciativas, o que pode interferir no andamento das negociações. Mas nos corredores da ONU, ninguém esconde que existe a possibilidade de que, até maio, o Iraque não seja mais governado por Saddam Hussein. Nesse caso, a presidência da Conferência se tornará um palco para que o novo governo e a hipocrisia do sistema multilateral mostrem que tinham razão em forçar a saída do atual governo iraquiano.

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