Iraque vai reavaliar segurança após piores ataques em mais de um ano

Explosões em Bagdá mataram 95 e deixaram mais de 500 feridos.

BBC Brasil, BBC

19 de agosto de 2009 | 20h15

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, ordenou a revisão das medidas de segurança no país após os piores ataques a bomba no país em mais de um ano, que mataram 95 pessoas em uma série de explosões na capital, Bagdá, nesta quarta-feira.

"Os atos criminosos de hoje nos fazem reavaliar nossos planos e mecanismos de segurança para enfrentar o desafio imposto pelo terrorismo e aumentar a cooperação entre as forças de segurança e o povo iraquiano", disse Maliki.

O premiê disse os ataques seriam responsabilidade de uma aliança entre a Al Qaeda e simpatizantes do ex-líder iraquiano, Saddam Hussein.

Um porta-voz do Exército iraquiano afirmou ainda que supostos membros da rede extremista Al-Qaeda teriam sido presos em um distrito de Bagdá por envolvimento com os ataques.

Já Saad Yousef Al-Muttalabi, um conselheiro do governo iraquiano, alegou que instituições religiosas baseadas na Arábia Saudita teriam ajudado a financiar os ataques coordenados.

Segundo ele, algumas instituições sauditas enxergam os iraquianos como "pouco crentes" e alvos legítimos de ataques.

Ataques

Nesta quarta-feira, um caminhão-bomba foi detonado em frente ao Ministério do Exterior, abrindo uma enorme cratera no chão nas proximidades da Zona Verde - área considerada uma das mais seguras da capital, onde estão localizados embaixadas e prédios do governo.

Outro carro-bomba explodiu perto do Ministério das Finanças.

Ao menos quatro outras explosões - possivelmente foguetes disparados por insurgentes - foram registradas na cidade.

A violência de insurgentes diminuiu recentemente no Iraque, mas ataques continuam comuns em várias cidades. Bagdá foi palco de vários ataques desde que as forças iraquianas assumiram a responsabilidade pela segurança da cidade.

Segundo a correspondente da BBC em Bagdá Natalia Antelava, entretanto, a maioria dos ataques recentes em Bagdá se concentrava em áreas pobres de maioria xiita.

Os atentados desta quarta-feira foram os primeiros coordenados em áreas centrais da cidade em meses, afirmou ela.

A onda de violência ocorre exatamente seis anos depois do primeiro grande atentado a ocorrer no Iraque após a derrocada de Saddam Hussein.

No dia 19 de agosto de 2003, o quartel-general da ONU em Bagdá foi atingido por um caminhão-bomba, que matou 22 pessoas, entre elas o brasileiro Sergio Vieira de Mello, chefe da missão da ONU no país.

Nos últimos seis anos, dezenas de milhares de pessoas morreram em ataques no país. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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