Iraque volta ao topo da agenda de Obama 2 anos após retirada

Presidente que insistia em ter 'encerrado' guerra no país árabe está sendo obrigado a lidar com nova crise em solo iraquiano

Peter Baker, The New York Times - O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2014 | 02h02

WASHINGTON - Durante dois anos, o presidente Barack Obama alardeou ter realizado o que o seu predecessor não fez: "Encerrei a guerra no Iraque", dizia ele em audiências e mais audiências. Mas o ressurgimento dos militantes islâmicos no oeste do país árabe vem lembrar o mundo que a guerra não acabou.

Obama pôs fim à presença militar dos EUA no Iraque, mas os combates não cessaram quando os últimos soldados americanos deixaram o país, em 2011. A tragédia iraquiana simplesmente deixou de ser uma preocupação diária para muitos americanos. Enquanto a atenção se deslocava para outros lugares, a guerra continuou devastadora e agora entrou na fase mais violenta desde o auge da violência sob a ocupação americana.

A reviravolta dos acontecimentos num país que outrora dominou a agenda de Washington enfatiza a estratégia de um presidente determinado a manter os EUA fora do que considera os atoleiros da última década. Em locais como Afeganistão, Egito, Líbia e Síria, Obama optou por um envolvimento seletivo e admitiu que algumas vezes os resultados seriam ruins - ainda assim, melhores do que se os EUA tivessem se envolvido mais agressivamente nos problemas de outros.

O enfoque do presidente começou a ser reavaliado nos últimos dias com as bandeiras da Al-Qaeda hasteadas em Faluja e Ramadi, dois nomes que repercutem fortemente para uma geração de veteranos que derramou sangue ali. E as críticas foram impulsionada pelo novo livro de memórias do ex-secretário da Defesa Robert Gates, em que ele se refere a um comandante-chefe ambivalente, que não acreditava no seu próprio reforço de tropas no Afeganistão e desejava sair do Iraque.

"O vazio de liderança certamente foi sentido ali", disse o senador republicano Bob Corker. "O sentimento é que o governo achava que o Iraque havia sido tirado da lista."

Os críticos lamentam que Obama tenha desperdiçado o sucesso militar alcançado pelo reforço de soldados ordenado pelo presidente George W. Bush em 2007. Para eles, o democrata devia ter feito mais para convencer Bagdá a aceitar a manutenção de uma força americana depois de 2011. Obama teria de ser mais enérgico com o premiê Nuri al-Maliki, cuja liderança xiita provocou o antagonismo de muitos sunitas, levando a essas últimas insurreições.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.