Iraquiano estoca água, comida e tranqüilizantes

Quando Bagdá estiver sob a tempestade das bombas americanas, os tranqüilizantes serão tão necessários como água e comida para uma mulher que entra em crise só de pensar em um bombardeio contra a capital iraquiana. "Comecei a armazenar comida, garrafas d´água e combustível", disse Ali Al Najjar, um jornalista que cavou um poço em seu jardim, na periferia de Bagdá, para tentar se proteger dos bombardeios americanos. "Mas devo pensar algo mais: como acalmar os nervos de minha mulher, que tem medo até de trovão. Já comprei montes de tranqüilizantes", contou.Apesar das ameaças de guerra feitas pelos Estados Unidos, os iraquianos mantinham seu estilo de vida, saindo à noite, freqüentando cinemas e teatros. "Como os músicos da orquestra do Titanic", lembrou Ali, que com 67 anos deverá presenciar sua terceira guerra em pouco mais de duas décadas.Até o último momento esperando por uma solução pacífica, Ali perdeu a ilusão ontem à noite, quando o presidente americano, George W. Bush, estabeleceu um ultimato de 48 horas que, todos os iraquianos sabem, nunca será aceito por Saddam Hussein.Depois do pronunciamento de Bush, a família de Ali viu passar rapidamente dois veículos dos inspetores da ONU, jornalistas estrangeiros e pessoal diplomático, que se dirigiam à Síria e à Jordânia.Entre os iraquianos, alguns conseguiram partir de carro ou de ônibus para cidades do interior, com menos risco de bombardeio que Bagdá. Na capital, a população formou longas filas nos postos de combustível para garantir o produto em caso de guerra. Muitos comerciantes optaram por fechar suas lojas, temendo saques."Até agora tapamos os ouvidos para não ouvir os tambores de guerra, agora teremos que tapá-los para não escutar as bombas", afirmou Ali.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.