Iraquianos criticam tribunal dos EUA em caso Blackwater

Cidadãos iraquianos se mostraram ultrajados hoje com a decisão de um tribunal dos Estados Unidos. Ontem, o tribunal rejeitou as acusações contra cinco guardas da empresa de segurança norte-americana Blackwater, acusados pelo assassinato de 17 iraquianos numa praça em Bagdá, em setembro de 2007.

AE-AP, Agencia Estado

01 de janeiro de 2010 | 19h12

"Não existe justiça", disse Bura Sadoun Ismael, que foi ferido com dois tiros e um fragmento de explosivo durante o tiroteio. "Eu já esperava que a justiça americana ficaria do lado dos guardas da Blackwater que fizeram o massacre na praça Nisoor".

O governo do Iraque se comprometeu a prosseguir com o caso, que virou uma fonte de disputas com o governo dos EUA. Muitos iraquianos viram a decisão como uma prova do que eles acreditam há muito tempo: empresas de segurança dos EUA no Iraque estão acima da lei.

A Blackwater foi contratada pelo Departamento de Estado, no governo de George W. Bush, para proteger diplomatas americanos no Iraque. Em 16 de setembro de 2007, cinco guardas americanos da empresa dispararam contra vários automóveis e pedestres que estavam na praça Nisoor em Bagdá, matando 17 pessoas. Os guardas disseram ter sido emboscados, mas procuradores americanos e muitos iraquianos disseram que os guardas atacaram sem motivos as pessoas que estavam na praça.

"As investigações conduzidas por autoridades iraquianas especializadas confirmaram sem equívocos que os guardas da Blackwater cometeram vários crimes de assassinato e quebraram as regras ao usar armas sem a existência de qualquer ameaça que os levasse a usar a força", disse o porta-voz do governo do Iraque, Ali al-Dabbagh, nesta sexta-feira.

Mais cedo, o juiz federal americano Ricardo Urbina, de Washington, derrubou o caso contra os cinco guardas, citando "repetidos erros" do governo americano no caso. Segundo Urbina, os direitos constitucionais dos guardas foram violados. Ele disse que as explicações do governo americano sobre o incidente foram "contraditórias, inacreditáveis e sem credibilidade".

O porta-voz do Departamento de Estado, Dean Boyd, disse que o governo dos EUA está "certamente desapontado" com a decisão do juiz Urbina. "Nós vamos considerar nossas opções", disse. Procuradores americanos podem apelar da decisão do juiz Urbina.

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