Murtaja Lateef/EFE/EPA
Murtaja Lateef/EFE/EPA

Iraquianos desafiam toque de recolher noturno e protestos continuam em Bagdá

Diversas cidades no sul do país também tiveram as ruas tomadas por estudantes e sindicalistas que pedem queda do regime; mais de 200 pessoas morreram desde 1 de outubro

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2019 | 21h59

BAGDÁ - Os iraquianos desafiam o toque de recolher noturno na madrugada de terça-feira, 29, decretado em Bagdá, depois que estudantes foram às ruas da capital e de diversas cidades no sul do país para pedir “a queda do regime”.

Havia o receio entre os manifestantes de que o toque de recolher iria causar uma dispersão das manifestações que ainda ocorriam na noite de segunda-feira na praça Tahrir de Bagdá, onde centenas permaneceram reunidos no fim de um dia que deixou mais cinco manifestantes mortos, segundo uma fonte oficial.

Desde o início dos protestos, em 1 de outubro, mais de 200 pessoas morreram e mais de 8 mil ficaram feridas, de acordo com um balanço oficial. Desde a última sexta-feira, ao menos 63 morreram. 

O Exército, que ameaçou com “severas sanções” funcionários e estudantes que não comparecessem ao trabalho ou às aulas, decretou na segunda-feira um toque de recolher noturno das 0h (18h horário de Brasília) até as 6h de terça-feira (0h horário de Brasília) para pessoas e veículos.

Já de noite, os engarrafamentos gigantescos em Bagdá desafiavam o toque de recolher com buzinas e alto-falantes com música, depois que os protestos ganharam repercussão após estudantes terem aderido ao movimento.

Entre as reivindicações dos manifestantes, estão empregos para os jovens, que equivalem a 60% da população do país, e um melhor funcionamento dos serviços públicos em um país devastado pela corrupção.

Os sindicatos de ensino anunciaram “quatro dias de greve geral”, enquanto o dos advogados ficará paralisado por uma semana.

Os estudantes se uniram aos protestos na praça Tharir após policiais anti-protestos se instalarem nos arredores das universidades. A declaração do ministro de Ensino Superior do Iraque, Qusai al Suheil também incitou a revolta, ao instar que “as universidades fiquem de fora” dos protestos.

Desde quinta-feira, a praça está repleta de tendas e postos de distribuição de alimentos e proteção contra as bombas de gás lacrimogêneo lançadas pelas forças de segurança.

Nesta segunda, o Congresso iraquiano votou pelo fim dos benefícios pagos aos integrantes do governo, mas a Casa segue dividida.

Ainda no sábado, os mais de 50 deputados ligados ao líder xiita Moqtada Sadr iniciaram uma sentada solidária com os manifestantes, anunciando que iriam se unir à oposição.

A maioria parlamentar do primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi, um independente que contava com o respaldo de Moqtada Sadr e da lista dos integrantes das Unidades de Mobilização Popular (paramilitares) chegou a um fim.

Desde sexta, dezenas de sedes de partidos e facções das Unidades de Mobilização Popular foram incendiadas, em incidentes que deixaram mais de 60 manifestantes mortos.

A ONU acusou “entidades armadas” de querer “sabotar as manifestações pacíficas”. / AFP

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