Iraquianos escolhem a Suécia para pedir asilo

A violência que tomou conta do Iraque após a invasão norte-americana está levando muitos habitantes a procurar refúgio em outras localidades. Os países vizinhos são os destinos preferenciais dos iraquianos, mas um crescente número de refugiados está buscando asilo em nações européias, em particular a Suécia.O número de pedidos de asilo nos 25 países da União Européia cresceu 50% no primeiro semestre deste ano, passando para 7,3 mil. O país nórdico surgiu como opção por apresentar uma legislação mais branda para imigração.Aproximadamente um terço dos pedidos são para a Suécia. O país de nove milhões de habitantes já abriga 70 mil refugiados iraquianos, a maioria barrados em outros países europeus.Até outubro, perto de cinco mil iraquianos encaminharam pedidos para residir no país, número superior ao dobro de todo o ano passado. As autoridades de imigração tiveram de montar um esquema especial no último mês para poder analisar os casos.Acrescenta-se ainda três mil casos de iraquianos que solicitaram residir na Suécia com esposas ou outros parentes, que já estavam no país.Especialistas atribuem o crescimento nos pedidos de asilo às mudanças na legislação sueca de imigração. As novas normas tornaram mais fáceis para iraquianos conseguir autorizações para residir no país, especialmente os que vêm de regiões violentas, como Bagdá e o sul do Iraque.Enquanto a Suécia abranda suas leis, outros países aumentam as barreiras para a migração de refugiados. Dinamarca e Inglaterra, que participaram da invasão do Iraque, aumentaram as restrições aos pedidos e fortaleceram as fronteiras para evitar a entrada ilegal no território.Antes, quase 90% dos pedidos de asilo direcionados à Dinamarca eram aceitos. A legislação que trata do assunto foi mudada, em 2002, e o índice caiu para 7%, no ano passado. "Eles aparentam indiferença em relação à necessidade dos iraquianos por proteção", diz o especialista em imigração Christer Isaksson.Holanda e Alemanha também figuravam entre os países mais receptivos para refugiados. Ambos, no entanto, estão mudando suas políticas e dificultando o acesso ao território.Na direção contrária, a Suécia, além de abrandar as leis de imigração, aumentou a lista de casos que podem ser considerados refugiados. Foi dada também uma segunda chance a pessoas que viviam ilegalmente no país, após os pedidos de asilo terem sido negados. O país, no entanto, diz estar monitorando esses estrangeiros para impedir que grupos terroristas instalem bases na região.

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